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Suspeito de crime organizado diz que Deolane “lava dinheiro pra nós”
Em um áudio obtido pelo Metrópoles, o indivíduo sustenta que o montante “é oriundo do crime” e assegura que a advogada e seu filho “lavam dinheiro” para a facção
16/06/2026 10h23
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Metrópoles
Reprodução: Redes Sociais

Uma diarista que trabalhava para a advogada Deolane Bezerra Santos relata ter recebido intimidações de um suposto integrante do tráfico de drogas. O objetivo era reaver uma quantia de R$ 80 mil que supostamente sumiu do imóvel de Kayky Bezerra Teixeira, herdeiro da influenciadora. Em um áudio obtido pelo Metrópoles, o indivíduo sustenta que o montante “é oriundo do crime” e assegura que a advogada e seu filho “lavam dinheiro” para a facção.

Na gravação associada ao suposto articulador, a profissional Denise Rosane Bastos sofre constrangimento psicológico. O homem demonstra conhecer onde ela e seus parentes moram, justificando que não acionaria as autoridades policiais sob o argumento de que “nós é o crime”.

A famosa advogada encontra-se detida desde 21 de maio deste ano, após uma operação em um residencial de alto padrão em Alphaville, na Grande São Paulo. As suspeitas apontam que ela recebia repasses financeiros vindos de uma empresa de logística controlada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), além de ocultar bens da facção.

“Eles lavam dinheiro pra nós”

O contato intimidador ocorreu logo após Denise ser apontada como responsável pelo sumiço do dinheiro no apartamento de Kayky, situado no Tatuapé, zona leste paulistana. A trabalhadora rejeita veementemente ter roubado qualquer bem. No arquivo de voz, o interlocutor detalha que Denise exercia funções “com o filho da Deolane” e defende que os valores perdidos não pertenciam ao jovem.

“Eles trabalham com nós. Lavam dinheiro pra nós, que é dinheiro do crime”, afirma o interlocutor, segundo o áudio obtido pelo Metrópoles.

Mais adiante, o indivíduo reforça a exigência do montante, composto por cédulas de cem reais: “Nós não vamos pra polícia porque nós é o crime, mas nós resolvemos do nosso jeito. Nós só quer o dinheiro de volta”.

Parentes Sob Monitoramento

As declarações do suposto criminoso incluem monitoramento geográfico. O homem relata proximidade com o endereço de Denise no município de Ribeirão Preto e cita ter dados de seus familiares.

“Nós tá com o endereço do seu marido aí”, afirma. Na sequência, sinaliza que comparsas estariam na região para validar o ponto exato.

O sujeito revela ainda ter feito uma “puxada” (pesquisa) nos dados pessoais da profissional, tentando impedi-la de refutar o suposto desvio. “Não vem com a ideia de falar que não foi você”, pontua. Em outro trecho, ele avisa: “Se o dinheiro não aparecer, aí nós já sabemos como é que nós vamos agir”.

Desentendimento Originado em Imóvel de Familiar

O episódio reportado na gravação integra um processo judicial disparado por uma representação criminal lavrada por Denise contra Deolane.

A trabalhadora esclarece que iniciou o vínculo com a influenciadora em 2021, no Residencial Tamboré, em Barueri. Posteriormente, realizava limpezas periódicas nos imóveis dos filhos da patroa, Gilliard e Kayky, ambos na zona leste da capital.

Na peça jurídica, Denise conta que efetuou uma faxina na unidade de Kayky no dia 24 de novembro de 2025. Na data posterior, o rapaz telefonou questionando sobre um bloco de notas financeiras mantido em seu aposento.

A prestadora declarou total desconhecimento. Contudo, Deolane teria ligado diretamente para exigir os valores.

“Cadê o dinheiro do meu filho?”, teria dito Deolane que, em seguida, complementou: “Devolve o dinheiro do meu filho, sua vagabunda”.

Vistoria Feita por Agentes de Segurança

O documento judicial narra ainda que, por volta das 19h daquele mesmo dia, dois guarda-costas vinculados à família de Deolane compareceram à habitação de Denise, na capital paulista.

A profissional afirma que a dupla revistou sua moradia, seu automóvel e seu aparelho celular. A banca jurídica da trabalhadora pontua que a entrada dos homens foi consentida apenas pelo cenário de forte coação e temor por sua integridade física.

Em um story capiturado por Denise com um segundo aparelho, a influenciadora teria ordenado: “Devolve o dinheiro do meu filho e segue sua vida, entendeu? Vai lá onde você guardou, pega e traz na minha casa. Senão, você me aguarde”.

Em outra mídia sonora anexada aos autos, Deolane supostamente comenta com terceiros: “Meu amor, quem rouba não fala [que roubou] não, já vi cada coisa em minha vida. Porque na hora em que os meninos [seguranças] estavam lá com ela, ela não falou? [onde estaria o dinheiro]”.

Elemento de Prova do Ministério Público

As controvérsias envolvendo a prestadora de serviços foram incorporadas na denúncia formalizada pelos promotores de São Paulo contra Deolane, Marco Willians Herbas Camacho (o Marcola, principal expoente do PCC) e outros parentes do líder da facção, incluindo Alejandro, Leonardo e Paloma Camacho, além de Everton de Sousa.

O Ministério Público estadual argumenta que o grupo operava uma rede estruturada de lavagem de dinheiro para a organização paulista. A influenciadora é descrita como peça do braço financeiro do grupo.

Ao usar o histórico de Denise, o órgão acusador avalia que os recados enviados sinalizam que a advogada estocava recursos em espécie pertencentes à facção nos imóveis de seus familiares. Para a Promotoria, o envio de funcionários particulares ao domicílio da faxineira e as subsequentes coações demonstram o modus operandi impositivo do bando.

A peça acusatória menciona o uso de corporações comerciais, contas de terceiros e testas de ferro para transitar recursos de origem obscura. A equipe jurídica da influenciadora refuta todas as imputações.

Trâmite da Apuração sobre Coação

A queixa-crime original versava sobre injúria difamatória (calúnia) e ameaça. Iniciada em Ribeirão Preto, a ação foi transferida para a capital por determinação de competência territorial do Judiciário.

Posteriormente, o magistrado da 20ª Vara Criminal do Foro da Barra Funda invalidou parcialmente a queixa no tocante ao crime de ameaça, determinando que essa tipificação criminal deve ser conduzida via ação pública penal pelo Ministério Público.

A decisão judicial destacou, todavia, que a trabalhadora formalizou o boletim de ocorrência pertinente, cabendo à polícia judiciária conduzir os inquéritos necessários para que o promotor responsável delibere sobre uma eventual denúncia formal. A análise referente à injúria foi direcionada ao Juizado Especial Criminal.