Notícias Famosos
Deolane tinha plano para lavar dinheiro do PCC em Dubai, revela investigação
A deliberação da Justiça que transformou a bacharel em ré, ao lado de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e demais integrantes da organização, foi publicada na terça-feira (16)
19/06/2026 09h49
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Redes Sociais

A criadora de conteúdo, Deolane Bezerra, foi classificada pelo Judiciário paulista como figura central em um esquema de lavagem de dinheiro associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Conforme os levantamentos do Ministério Público, o grupo criminoso já traçava planos de expansão internacional com a transferência de ativos para fundos em Dubai.

A deliberação da Justiça que transformou a bacharel em ré, ao lado de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e demais integrantes da organização, foi publicada na terça-feira (16). A apuração desvendou uma estratégia de reorganização societária de companhias ligadas ao bando, cujo intuito era migrar os bens para o Oriente Médio, território reconhecidamente associado à utilização de shell companies (empresas de fachada) para facilitação de lavagem internacional de ativos.

Laudos de órgãos de controle financeiro anexados ao processo apontam que as contas da profissional registraram um fluxo de aproximadamente R$ 27 milhões. Os exames periciais identificaram práticas corriqueiras de ocultação de patrimônio, tais como o fracionamento de transações bancárias, o emprego de laranjas e divergências em informes fiscais.

O órgão acusador sustenta que os aportes partiram de uma transportadora sediada em Presidente Venceslau (SP) e gerida pela facção. A peça acusatória indica Everton de Sousa, vulgo "Player" ou "Temer", gestor financeiro de Alejandro Herbas Camacho Junior (irmão de Marcola), como o responsável por comandar as transferências. Os investigadores destacam ainda gravações de voz enviadas por Deolane a uma diarista, que indicariam que quantias pertencentes à facção ficavam guardadas em residências da influenciadora e de seus descendentes.

Bloqueio de Bens e Desdobramentos da Prisão

O magistrado ordenou o confisco de patrimônio de alto padrão da suspeita, englobando automóveis de luxo em seu nome ou de firmas correlacionadas. A frota confiscada abrange uma Lamborghini Huracán, uma Mercedes-Benz AMG G63 e uma Cadillac Escalade.

A acolhida da denúncia ministerial formaliza a instauração da ação penal e transforma o investigado em réu, o que não configura uma sentença condenatória. Com esse despacho, o litígio ingressa no período de colheita de provas e manifestação dos defensores, antecedendo o veredicto de culpa ou absolvição. A determinação partiu do magistrado Deyvison Heberth dos Reis, titular da 3ª Vara de Presidente Venceslau, município paulista. A advogada cumpre custódia preventiva desde o dia 21 de maio de 2026 na unidade prisional de Tupi Paulista (SP).

Ademais, passaram à condição de réus os cidadãos Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior e Everton de Sousa.

Posicionamento da Defesa

Por meio de um comunicado conjunto, o corpo jurídico composto por Aury Lopes Júnior, Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes assegurou a total idoneidade de Deolane, destacando que acionará "todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa".

Os defensores reforçaram que a influenciadora não ostenta "qualquer vínculo com o crime organizado" e que todo o seu faturamento advém de fontes idôneas e devidamente notificadas ao fisco.