O corpo diplomático dos Estados Unidos rotulou o veredicto do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro como um ato de “perseguição” e mais uma evidência de “manipulação jurídica” direcionada às forças de oposição no Brasil. O posicionamento do Departamento de Estado norte-americano foi divulgado em primeira mão pela agência Reuters nessa última quinta-feira (18) e, na sequência, validado pelo portal Metrópoles junto à instituição estrangeira.
Conforme as palavras de um representante oficial do órgão de relações exteriores dos EUA: “Este é o mais recente exemplo de perseguição e manipulação jurídica por parte dos tribunais brasileiros contra a oposição política. Os debates políticos devem ser resolvidos por eleições democráticas, não por condenações”.
A punição imposta pela Corte estabeleceu um período de reclusão em regime semiaberto, além da aplicação de penalidades financeiras e da suspensão dos direitos políticos por um intervalo de oito anos após o encerramento do cumprimento da pena. Diante do desfecho unânime proferido pela Primeira Turma do STF, o filho do ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL) antecipou sua intenção de submeter a situação à gestão de Donald Trump. O intuito do político é pleitear que o magistrado Alexandre de Moraes volte a sofrer punições financeiras e restritivas por Washington, valendo-se dos mecanismos da Lei Magnitsky.
A condenação de Eduardo Bolsonaro fixou a reprimenda em 4 anos e 2 meses de detenção pelo crime de coação. Vivendo no Texas desde março de 2025, o ex-deputado foi apontado como o articulador de retaliações econômicas dos EUA contra o mercado brasileiro, em uma tentativa de pressionar o Judiciário local durante os julgamentos de seu pai decorrentes das investigações sobre planos golpistas. No decorrer do último ano, a administração de Trump chegou a instituir uma sequência de sobretaxas a mercadorias do Brasil, fundamentando parte dessas barreiras comerciais como uma reação ao suposto direcionamento ideológico dos tribunais brasileiros.
Naquela ocasião, o ministro Alexandre de Moraes, que estava à frente das relatorias ligadas a Jair Bolsonaro no STF, acabou sendo atingido por medidas restritivas de Washington. As taxas sobre o comércio exterior brasileiro foram sendo desfeitos de maneira paulatina. Por sua vez, os bloqueios pessoais que afetavam Moraes, abrangendo o cancelamento de autorizações de viagem (vistos) e o congelamento de patrimônio, foram anulados em dezembro do ano passado, como desdobramento de reuniões bilaterais promovidas entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).