A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) à Justiça indicam que a criadora de conteúdo, Deolane Bezerra, mantinha montantes de dinheiro pertencentes ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em residências de seus próprios filhos. A existência desses depósitos secretos veio à tona por meio de mensagens de voz encaminhadas pela própria advogada a uma ex-diarista.
Os áudios constam no veredito que colocou a famosa e outros cinco investigados no banco dos réus sob as acusações de integrar associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Os relatórios processuais detalham que Deolane funcionava como uma espécie de destinatária de repasses financeiros originados do tráfico de drogas da facção. O fluxo monetário utilizava a estrutura de uma transportadora de fachada, denominada Transportadora Lado a Lado.
O esquema começou a ser desmantelado depois que agentes públicos interceptaram bilhetes manuscritos na penitenciária de Presidente Venceslau, os quais expuseram as atividades ilegais iniciadas em 2019.
A rede criminosa se valia das contas bancárias sob a titularidade da influenciadora para escoar cifras que ultrapassaram a marca de R$ 27 milhões. Contudo, as análises fiscais apontaram que o volume transacionado era totalmente desproporcional ao poder aquisitivo que ela informava ao fisco.
O grupo recorria à estratégia de smurfing, que consiste em pulverizar o dinheiro em múltiplos depósitos de pequenos valores, para burlar a fiscalização e camuflar a procedência do capital. A Promotoria sustenta que a fama e o prestígio social de Deolane serviam como uma blindagem de aparente idoneidade para reinserir o dinheiro ilícito no mercado financeiro.
A influenciadora digital foi enquadrada nas seguintes infrações penais:
Organização Criminosa: Artigo 2º, caput, da Lei Federal nº 12.850/2013. Caso receba veredito condenatório por este item, a legislação estipula uma pena que varia de 3 a 8 anos de reclusão.
Lavagem de capitais: Artigo 1º, caput, §1º, inciso I e §4º, da Lei Federal nº 9.613/1998. Para a prática de lavagem de capitais, as sanções previstas em caso de condenação flutuam entre 3 e 10 anos de privação de liberdade.
Ambas as tipificações penais também sujeitam os envolvidos ao pagamento de multas.
O Poder Judiciário acatou a peça acusatória do Ministério Público não apenas contra Deolane, mas também contra outros cinco implicados no caso:
Marco Willians Herbas Camacho (conhecido como Marcola, principal liderança da organização);
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho (sobrinho do líder);
Paloma Sanches Herbas Camacho (sobrinha do líder);
Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior (irmão do líder);
Everton de Souza, vulgo 'Player'.
Os defensores de Deolane Bezerra confirmaram que foram notificados sobre a abertura da ação penal, ponderando que o recebimento da denúncia representa apenas a fase inicial do rito processual e não atesta qualquer culpabilidade.
Em comunicado oficial, os advogados reforçaram que a cliente é inocente, que todo o seu patrimônio advém de canais lícitos e que ela jamais possuiu amarras com redes criminosas, garantindo que apresentarão todos os elementos probatórios necessários para o esclarecimento definitivo do processo.