O congressista Kim Kataguiri retirou seu nome da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes sob a bandeira do Missão, agremiação recém-fundada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL). Em comunicado proferido no sábado (20), o político informou que buscará a renovação de sua cadeira na Câmara dos Deputados. A alteração de planos ocorreu após ele ser indicado para comandar o "ministério da reforma de estado" em uma hipotética linha de frente liderada por Renan Santos, o nome da legenda para a chefia do Executivo Federal.
Na amostragem do Datafolha veiculada também no sábado (20), Renan pontua na terceira colocação da disputa, empatado com Ronaldo Caiado (PSD) ao somar 3% do apoio popular na etapa inicial. O atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantém a dianteira com 41% das preferências, registrando uma vantagem de dez pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), que obtém 31%. Diante da retirada de Kataguiri, a cúpula do Missão estuda se lançará outra alternativa própria em território paulista, contudo, a diretoria rechaça o alinhamento com outras siglas no estado.
O plano de governo prevê o estabelecimento de uma pasta robusta e de atuação unificada, encarregada de gerir setores vitais como Economia, Gestão, Orçamento, articulação ministerial e Emprego. O objetivo principal é comandar modificações estruturais profundas voltadas ao enxugamento do aparato estatal.
De acordo com o deputado, o recuo da postagem ao governo estadual se justificou pela "necessidade de ter alguém na esplanada [dos Ministérios] com experiência no Congresso Nacional, para ter equipe técnica mas ao mesmo tempo condução política".
Kataguiri teceu ressalvas a gestões passadas, frisando a importância de conciliar conhecimento técnico com capacidade de articulação junto aos parlamentares.
"Havia técnicos que deram credibilidade pro mercado na equipe de Jair Bolsonaro, mas a condução política por parte do Paulo Guedes foi um desastre", disparou o congressista durante coletiva de imprensa realizada em um ato político do partido na capital de São Paulo.
Por sua vez, Renan Santos esclareceu que a nova estrutura ministerial despacharia de dentro do próprio gabinete do Executivo. "Seria transformar o Palácio do Planalto numa startup", sintetizou o pré-candidato ao lado de seu aliado.
Dentre as metas prioritárias na Esplanada, o deputado destacou:
A aprovação de uma nova reestruturação da Previdência Social;
A extinção dos chamados "supersalários" no funcionalismo público;
A flexibilização dos limites mínimos obrigatórios de verbas para os setores de ensino e saúde.
"Nós não teremos vergonha de defender publicamente o remédio amargo", garantiu Kataguiri, imputando a prática de "estelionato eleitoral" aos adversários que omitem tais necessidades nas campanhas. "Qualquer um que vença a presidência vai ter que fazer", completou.
Apesar de frisar que os convocações oficiais ainda não ocorreram, o parlamentar expressou o desejo de "beber da fonte" de mentores intelectuais da estabilização econômica nacional, citando pensadores como Marcos Lisboa, Samuel Pessôa, Zeina Latif, Mário Mesquita, Mansueto Almeida, Marcos Mendes e Helena Landau.
"As portas do governo Renan Santos estão abertas pra vocês e todas as mentes brilhantes do nosso país", concluiu o parlamentar, que projeta divulgar no bimestre seguinte as primeiras peças da equipe macroeconômica pretendida para a federação.