O produtor de conteúdo e comediante Dilson Alves da Silva Neto, popularmente conhecido como Nego Di, recebeu uma sentença da Justiça gaúcha que ultrapassa os 14 anos de reclusão. O veredito, anunciado na terça-feira (23), é fruto dos desdobramentos jurídicos sobre a realização de sorteios clandestinos na internet. Os delitos atribuídos ao réu englobam fraude financeira, lavagem de bens de forma qualificada, falsificação documental e operação ilegal de jogos de azar.
A companheira do criador digital, Gabriela Sousa, também foi penalizada na mesma ação judicial, recebendo uma sanção de 8 anos e 4 meses em regime fechado pelo crime de lavagem de dinheiro. Conforme a denúncia do órgão ministerial, o esquema criminoso operava através do anúncio de sorteios digitais em contas de plataformas sociais, prometendo dinheiro em espécie e automóveis sofisticados, como um Porsche Macan.
As apurações das autoridades indicam a ocorrência de no mínimo 34 sorteios irregulares entre os anos de 2022 e 2024. Suspeita-se que parte dessas ações servia para mascarar o fluxo de capitais ilícitos. O rombo financeiro calculado gira em torno de R$ 185 mil, prejudicando cerca de 9 mil cidadãos.
A tese acusatória aponta que os cônjuges recorriam a contas bancárias de laranjas para transacionar perto de R$ 2,5 milhões. Esses montantes teriam sido revertidos na aquisição de propriedades residenciais e automóveis de luxo no Rio Grande do Sul. A peça jurídica menciona ainda a postagem de um suposto recibo de Pix no valor de R$ 1 milhão que seria direcionado a um fundo de auxílio humanitário na época das inundações na região sul. Contudo, a perícia sustenta que a quantia efetivamente repassada foi muito inferior à divulgada.
O comediante já se encontrava sob o benefício da liberdade provisória desde o final de 2024, período em que deixou o Complexo Penitenciário de Canoas. Aquela detenção prévia correspondia a um litígio distinto de fraude comercial associado ao e-commerce “Tadizuera”. Naquela ocasião, ele e seu parceiro de negócios foram julgados culpados por comercializar mercadorias na web que jamais chegavam aos clientes.
Ao longo das diligências, os promotores de Justiça coordenaram uma ofensiva policial em meados de 2024. Durante a investida, a mulher do humorista foi detida de forma flagrante devido ao confisco de um armamento desprovido de documentação legal. Até o momento, o corpo jurídico que representa Nego Di e Gabriela não emitiu posicionamento a respeito desta nova decisão judicial.