Notícias Política
Haddad define Márcio França como vice da chapa para disputar governo de SP
A aliança, alinhada com as diretrizes lulistas, mira a disputa pelo comando do Palácio dos Bandeirantes no pleito de outubro
25/06/2026 11h51
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: VEJA
Reprodução: Bruno Santos-23.jul.22/Folhapress

O antigo comandante do Ministério da Fazenda e postulante ao governo paulista, Fernando Haddad (PT-SP), bateu o martelo nesta quinta-feira (25), ao escolher o ex-ministro da pasta do Empreendedorismo, Márcio França (PSB-SP), como seu companheiro de chapa. A aliança, alinhada com as diretrizes lulistas, mira a disputa pelo comando do Palácio dos Bandeirantes no pleito de outubro. Com esse desenho, as também ex-ministras Marina Silva (Rede-SP) e Simone Tebet (PSB-SP) assumirão os postos na corrida pelas duas cadeiras do Senado Federal por São Paulo.

A costura política foi finalizada após um encontro que reuniu as cúpulas do PT e do PSB em Brasília ontem (24). Diante da ausência de uma convergência imediata entre as legendas, coube a Lula delegar a Haddad a palavra final sobre a composição. Embora uma coletiva de imprensa estivesse agendada pelo candidato petista para o meio-dia a fim de oficializar a decisão, o desfecho foi adiantado pela equipe de VEJA junto a quadros influentes de ambas as siglas.

A engenharia política desenhada pelo pré-candidato parte do pressuposto de que França detém um conhecimento mais amplo do território paulista, uma herança de sua gestão no Executivo em 2018, assumida quando Geraldo Alckmin se descompatibilizou para tentar o Planalto. Além disso, ele tem maior capacidade de dialogar com os eleitores de centro e mais conservadores. Essa característica é vista como um trunfo indispensável para fazer frente a Tarcísio de Freitas (Republicanos), que desponta na vanguarda das pesquisas de opinião pública em busca de um novo mandato, com chance de vitória ainda no primeiro turno de votações.

França deve acatar a indicação, muito embora esse posto seja diferente do que desejaria ocupar. Desde o início, ele queria liderar uma chapa própria ao Executivo, caminho obstruído pelo desempenho tímido nos levantamentos de intenção de voto e pelo isolamento partidário, que reduziria seu arco de apoio unicamente ao PDT. Bloqueada essa via, o ex-governador tentou emplacar uma disputa ao Senado; contudo, a indicação prévia de Tebet pela mesma legenda (PSB) travou o diálogo com o PT, dado o impasse de acomodar duas figuras do mesmo partido na chapa majoritária. Apesar dos pesares, França manterá a fidelidade ao bloco, descartando qualquer racha ou aventura isolada.

Divergências e Riscos Entre Aliados

A escolha para a vice divide opiniões. Lideranças do PSB avaliam o movimento como temerário, argumentando que a ausência de uma candidatura própria de França pode apressar o desfecho da eleição paulista ainda no primeiro turno. Para os socialistas, uma cabeça de chapa alternativa encorparia a militância na legenda 40 e poderia funcionar como uma barreira de contenção, drenando votos de Tarcísio e forçando uma segunda etapa. Em contrapartida, os estrategistas do PT temiam o inverso: que França pulverizasse o eleitorado de Haddad, pavimentando uma derrota ainda maior para a esquerda no estado.

Já as candidaturas de Simone Tebet e Marina Silva, que lideram as pesquisas atuais para as duas vagas ao Senado, são interpretadas pelo PT como uma oportunidade de dialogar com setores distintos da sociedade. Tebet funcionaria como uma ponte com o empresariado e setores moderados, enquanto Marina mobilizaria a militância de esquerda e os defensores da pauta ambiental. Pelo lado do PSB, subsiste o temor de que o arranjo provoque um risco de competição com ambas disputando o mesmo nicho do voto feminino.

O grande norte do PT em solo paulista é, fundamentalmente, arrastar o pleito para o segundo turno. O controle do maior colégio eleitoral do país é visto como peça-chave para sustentar os planos de reeleição de Lula ao Palácio do Planalto. O entendimento interno é de que o presidente necessita de uma base forte e ativa no estado durante todo o processo eleitoral, precisando repetir ou superar o desempenho de 2022 (quando angariou quase 45% dos votos locais) para carimbar sua permanência no poder.