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Nova pesquisa revelará como está disputa Lula x Flávio após crise interna no PT
O estudo estatístico consultará um contingente de 5.000 votantes até o dia 29 de junho
26/06/2026 10h23 Atualizada há 2 meses
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Ricardo Stuckert /PR / Agência Senado/Flickr

O próximo diagnóstico acerca da disputa eleitoral de 2026 tem data marcada para vir a público na próxima terça-feira (30), ocasião em que a AtlasIntel deve apresentar seu mais recente estudo de abrangência nacional focado na corrida pela Presidência da República. A divulgação ocorre em uma conjuntura crucial da fase que antecede as campanhas, vindo logo após uma série de sondagens que ratificaram a recuperação do atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva, e jogaram incertezas sobre as condições do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de reverter sua trajetória de perda de capital político.

O estudo estatístico obteve validação na Justiça Eleitoral sob a identificação BR-03448/2026 e consultará um contingente de 5.000 votantes até o dia 29 de junho. O intervalo de variação calculado é de meros 1 ponto percentual, figurando como um dos menores índices de flutuação entre as empresas que monitoram constantemente a preferência do eleitorado nacional.

A curiosidade em relação ao relatório da AtlasIntel ganhou força diante de uma sucessão de pesquisas que consolidaram uma distância mais expressiva em favor de Lula. O Datafolha, publicado no último sábado, apontou o chefe do Executivo com 47% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro na simulação principal de segundo turno, repetindo exatamente os números registrados um mês antes. Já no cenário de primeiro turno, Lula aparece com 41%, enquanto o senador soma 31%.

Anteriormente, os relatórios da BTG/Nexus e da CNT/MDA já haviam apontado a ampliação do favoritismo presidencial. O estudo da BTG mostrou Lula com 49% contra 43% de Flávio no segundo turno, enquanto o levantamento da CNT/MDA indicou uma folga ainda mais acentuada: 49,3% a 36,8%. As análises publicadas no decorrer de junho desenharam uma tendência uniforme: o petista conseguiu dar solidez à sua liderança no país, ao passo que o parlamentar do PL estancou o declínio visto logo após o caso envolvendo Daniel Vorcaro, embora continue sem retomar o espaço perdido anteriormente.

O que estará sob a lupa da AtlasIntel?

A grande questão é avaliar se o comportamento detectado pelos outros institutos se mantém inalterado. Esta amostragem será a primeira realizada pela AtlasIntel após três fatos marcantes que pautaram o debate político nos últimos dias, com destaque para a ação da Polícia Federal direcionada a Jaques Wagner (PT-BA), que optou por se afastar da liderança governista na quarta-feira (24).

Mesmo com parte das entrevistas ocorrendo em paralelo aos desdobramentos da ação policial contra Wagner, o relatório servirá para medir se o fato foi capaz de balançar a conjuntura estabelecida desde maio, período em que o desgaste passou a afetar mais diretamente a postulação de Flávio Bolsonaro.

Este aspecto concentrará as atenções dos analistas políticos. A partir do vazamento dos áudios associados a Daniel Vorcaro, quase a totalidade das grandes empresas de pesquisa constatou a expansão da dianteira de Lula ou a deterioração dos índices de aprovação do senador.

AtlasIntel, Quaest, Datafolha, BTG/Nexus, CNT/MDA, Meio/Ideia e Real Time Big Data apontaram, em graus diferentes, redução da competitividade de Flávio nos cenários de primeiro e segundo turno. Contudo, o Datafolha trouxe um indicador considerado relevante para a oposição: embora o senador não tenha recuperado terreno, também deixou de apresentar novas perdas em relação ao levantamento anterior, sugerindo uma possível estabilização após semanas de desgaste.

O impacto do episódio Jaques Wagner

Esta é outra incógnita que o novo levantamento ajudará a decifrar. A sondagem de dados acontece poucos dias após o cumprimento de mandados da Polícia Federal contra uma figura de peso do Partido dos Trabalhadores. Enquanto os defensores do governo se mobilizam para blindar a pré-campanha de possíveis reflexos negativos, frentes oposicionistas buscam traçar semelhanças entre a situação de Wagner e as suspeitas envolvendo o Banco Master.

Ainda se mostra precipitado cravar se este novo componente possui força para transformar a visão dos eleitores. A apuração do Datafolha, por exemplo, transcorreu simultaneamente à eclosão da operação, limitando a aferição de seus efeitos reais. Assim, a AtlasIntel trará a primeira fotografia nacional capturada após um período mais longo de exposição midiática do caso.

Detalhes do método de coleta

O processo de escuta da AtlasIntel colherá opiniões de 5.000 cidadãos até 29 de junho por meio de questionário estruturado aplicado pela internet, com amostra posteriormente ponderada para representar o perfil do eleitorado brasileiro segundo sexo, idade, escolaridade e renda. Conforme as especificações enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral, o estudo opera com um grau de confiabilidade de 95% e variação máxima de um ponto percentual, para mais ou para menos.

Devido à robustez da amostragem e ao calor do momento político de sua divulgação, o relatório desponta como um referencial indispensável antes do início oficial da propaganda eleitoral. A dúvida central reside em saber se Lula consolida a vantagem observada nas últimas semanas ou se Flávio Bolsonaro começa a interromper o ciclo de desgaste registrado desde o caso envolvendo o Banco Master.