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Após saída de Jaques, Lula escolhe Teresa Leitão como líder do governo no Senado
A função de líder do governo consiste em atuar como a voz direta do chefe do Executivo Federal perante os integrantes do Senado, cabendo ao ocupante costurar consensos e mediar votações de propostas de interesse do Planalto
26/06/2026 15h09
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Ricardo Stuckert e Roberto Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para comandar a liderança do Palácio do Planalto no Senado. A posição estava aberta desde o afastamento de Jaques Wagner (PT-BA), que passou a ser investigado em uma ação da Polícia Federal vinculada aos desdobramentos do caso Banco Master.

A função de líder do governo consiste em atuar como a voz direta do chefe do Executivo Federal perante os integrantes do Senado, cabendo ao ocupante costurar consensos e mediar votações de propostas de interesse do Planalto.

"Designei a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para assumir a liderança do governo no Senado com a missão de articular o debate e a aprovação de projetos de interesse da população brasileira que estão em tramitação, como o fim da escala 6 por 1 e a PEC da Segurança, entre outros", divulgou Lula na quinta-feira (25) por meio de sua conta oficial na rede social X.

Bastidores da mudança e nomes cotados

A destituição de Jaques Wagner, uma das figuras mais fiéis ao presidente, ocorreu na quarta-feira (24), após uma reunião reservada com Lula. O parlamentar baiano inicialmente demonstrava relutância em deixar a função. Contudo, o chefe do Executivo insistiu no afastamento estratégico para blindar seu projeto de reeleição presidencial de eventuais desgastes provocados pelo escândalo financeiro do Master.

Antes da definição, interlocutores do governo cogitavam que a vaga poderia ser preenchida pelo senador e ex-ministro Camilo Santana (PT-CE), devido à forte sintonia construída com Lula durante o mandato atual. No entanto, Santana recebeu a missão partidária de consolidar e capitanear o bloco de alianças políticas no Ceará.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) também figurou nas bolsas de apostas dos corredores de Brasília. Respeitado entre seus pares e próximo tanto de Lula quanto de Wagner, Alencar acabou preterido por já exercer uma das funções mais cruciais do Legislativo: o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o colegiado mais importante do Senado.

A indicação de Teresa Leitão começou a ganhar força na noite de terça-feira (23), quando Lula deu os primeiros sinais a seus conselheiros. Após sacramentar a saída de Wagner no dia seguinte, o presidente telefonou para a senadora pernambucana na manhã de quinta-feira (25), sacramentando o anúncio oficial. A parlamentar, de 74 anos, conquistou sua cadeira em 2022 e possui estabilidade no cargo até 2031, o que a dispensa de participar da disputa eleitoral deste ano.

Os pilares da investigação contra Wagner

A etapa mais recente da Operação Compliance Zero, coordenada pela PF, se debruça sobre possíveis crimes de corrupção ativa, passiva e ocultação de capitais. O cerco policial atingiu não apenas Wagner, mas também Augusto Lima e Eduardo Sodré Martins, secretário estadual na gestão de Jerônimo Rodrigues (PT-BA) e enteado do senador. Lima mantinha sociedade com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master e figura central da crise financeira.

Investigadores rastrearam uma transferência de R$ 3,5 milhões efetuada por uma companhia sob o controle de Lima com destino aos parentes próximos de Wagner. Para o relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, a transação funciona como um forte indício dos laços estreitos entre o empresário e o congressista.

As suspeitas indicam ainda que Wagner teria sido beneficiado por Lima com um imóvel residencial em Salvador, com valor estimado em R$ 2,5 milhões, deslocamentos aéreos cortesia em aeronaves privadas ligadas ao Master e bilhetes para a apresentação de uma "cantora internacional" em Los Angeles, nos Estados Unidos, realizada em 2023. Durante os mandados de busca, agentes da PF apreenderam US$ 55 mil e 33 mil euros em imóveis vinculados ao petista (soma equivalente a cerca de R$ 471 mil em valores corrigidos).

Na segunda-feira (22), o corpo jurídico de Jaques Wagner ingressou com uma peça de recurso contestando as buscas validadas por Mendonça. Na petição, os advogados rebateram categoricamente a tese de que o senador tenha feito gestões políticas para favorecer o Banco Master no Parlamento, apontando a existência de equívocos graves na condução da medida restritiva.