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Governador de SC denuncia Lula à PGR por acusação de xenofobia; entenda o caso
A ação judicial, conforme detalhado pelo político catarinense, deve dar entrada formal na PGR nesta segunda-feira (29)
29/06/2026 10h15
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Ricardo Stuckert / PR / Saulo Angelo/Estadão Conteúdo

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), optou por protocolar uma representação junto à Procuradoria-Geral da República e acionando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na avaliação de Mello, o líder petista foi xenofóbico em seu pronunciamento na cidade litorânea de Itajaí, ocorrido na última sexta-feira (26).

Durante a agenda de campanha, o presidente teceu críticas a uma articulação legislativa local que buscava pôr fim às cotas raciais nas instituições de ensino superior do estado, uma medida que acabou derrubada e julgada ilegal pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Não pode permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não pode permitir, não pode permitir que aqui em Santa Catarina as pessoas sejam tomadas do senso de grandeza, porque esse estado é muito rico, não é pobre. A gente é um estado brasileiro e todo mundo tem que ser tratado igual", declarou Lula em evento. Logo após, ao abordar uma suposta prevalência de pele clara na área, o presidente fez menção ao ditador alemão Adolf Hitler.

"Não tem um cara que é branco e é melhor do que o que é negro, o cara que é nordestino é pior do que o do Sul do país. Que história que é essa? Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou. A gente não pode permitir essa ideia da hegemonia branca sobre o restante do país. A gente não pode. Na verdade, isso não é hegemonia branca, é hegemonia da ignorância", completou Lula.

Para Jorginho Mello, o discurso sugeriu de forma velada que a população catarinense nutre preconceitos raciais e se enxerga em uma posição superior frente aos cidadãos de outras regiões do Brasil.

O governador apontou que as palavras do presidente violaram as fronteiras da mera divergência ideológica, ferindo o orgulho e a dignidade dos habitantes do estado. "Uma coisa é o presidente me criticar ou vir a Santa Catarina dizer coisas que não condizem com a realidade. Isso faz parte do debate político e nós respondemos com fatos. Outra coisa, muito diferente, é chamar o povo catarinense de racista. Isso é criminoso, preconceituoso e ele precisa responder por isso", disse.

A ação judicial, conforme detalhado pelo político catarinense, deve dar entrada formal na PGR nesta segunda-feira (29).