Notícias Entenda o caso
Tenente irmão de Eloá apresenta melhora, mas segue em estado grave
Membro do batalhão das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e irmão de Eloá Pimentel, o oficial foi atingido por um tiro na região craniana no sábado (27)
30/06/2026 09h14
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Redes Sociais

O quadro de saúde do tenente Ronickson Pimentel dos Santos apresentou uma evolução positiva após exames laboratoriais e de imagem detalhados no início da segunda-feira (29). Conforme o último boletim da Polícia Militar de São Paulo (PMSP), um exame computadorizado detectou a diminuição do inchaço no cérebro. Contudo, a condição do militar permanece delicada. Ele se encontra em coma induzido na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com foco neurológico, dependendo de aparelhos para respirar e sob vigilância médica ininterrupta.

Membro do batalhão das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) e irmão de Eloá Pimentel, o oficial foi atingido por um tiro na região craniana no sábado (27). O crime ocorreu no trânsito da Avenida Goiás, situada em São Caetano do Sul. Registros de circuitos de segurança flagraram uma dupla em uma moto emparelhando com o automóvel da vítima e abrindo fogo antes de escapar do local.

A Polícia Civil atua fortemente com a linha de investigação de emboscada articulada. Conforme o major Marcos Verardino, que atua na apuração do caso, os agentes estão checando dados para desvendar os motivos do atentado, embora as evidências de uma ação coordenada sejam robustas.

“A gente ainda está cruzando as informações para verificar a motivação, mas com certeza premeditado”, afirmou o major no domingo (28), durante entrevista concedida no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo.

O oficial esclareceu que os trabalhos investigativos ganharam força imediatamente após os disparos, unindo ferramentas de inteligência policial e análise de filmagens urbanas. A estratégia ajudou a mapear a rede de auxílio dos atiradores.

“Logo após o fato, a gente iniciou as nossas diligências, cruzamos informações de inteligência com imagens de monitoramento. Chegamos a dois indivíduos que deram apoio logístico para os indivíduos que tentaram matar o tenente Pimentel”

Até o presente momento, as autoridades detiveram dois supostos envolvidos. De acordo com informações da PM, um dos capturados admitiu ter estruturado a retaguarda para os executores do crime, enquanto o segundo segue sob custódia sob a mesma suspeita de suporte operacional.

Repercussão e Histórico Familiar

A tragédia toca novamente a história da família Pimentel. Em outubro de 2008, a jovem Eloá Cristina Pimentel, de apenas 15 anos, teve sua casa invadida pelo ex-companheiro, Lindemberg Alves, na época com 22 anos. A adolescente e sua colega, Nayara, suportaram um cárcere privado que se estendeu por mais de cem horas.

O desfecho ocorreu com a entrada tática da polícia no imóvel, instante em que o agressor baleou as jovens. Nayara sobreviveu com ferimentos na face, mas Eloá não resistiu aos ferimentos provocados por dois projéteis, vindo a falecer no hospital.

O criminoso recebeu inicialmente uma sentença de 98 anos e 10 meses de reclusão, pena posteriormente recalculada para 39 anos e três meses em 2013. Atualmente, ele cumpre o regime fechado na penitenciária de Tremembé, no interior paulista.

Na época do fatídico episódio que abalou a opinião pública nacional, o tenente Ronickson, conhecido na caserna como tenente Pimentel, tinha 21 anos. Recentemente, a memória do trágico evento foi relembrada pelo documentário Caso Eloá: Refém ao Vivo, lançado por uma plataforma de streaming, trazendo à tona novos depoimentos de pessoas que conviviam com a estudante.