A defesa de Daniel Vorcaro efetuou uma nova investida com o intuito de restabelecer os canais de diálogo para a costura de uma delação premiada junto aos órgãos encarregados das apurações do caso Banco Master. Apesar de duas tentativas prévias terem sido descartadas, os defensores persistem no esforço de reatar as conversações com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF), embora não tenham obtido êxito até o presente momento. As informações são do Diário do Poder.
O movimento mais recente sucedeu na capital federal, aproveitando uma pausa nas sessões deliberativas do Supremo Tribunal Federal (STF). Naquela oportunidade, o advogado Sérgio Leonardo abordou diretamente o procurador-geral da República, Paulo Gonet, externando a inclinação de seu representado em fornecer dados inéditos e aprofundar o suporte às frentes investigativas. Contudo, a sinalização foi rechaçada de forma imediata, de acordo com informações da imprensa.
Além dessa interlocução de bastidor, os defensores tentaram abrir caminhos por vias alternativas, recorrendo a agendamentos institucionais e diálogos casuais com quadros da corporação policial e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Independentemente da insistência, as instituições de controle preservam a avaliação de que inexistem motivos técnicos suficientes para justificar o reinício dos tratos voltados ao pacto de colaboração.
As duas delações submetidas anteriormente por Vorcaro acabaram invalidadas sob a justificativa de que as narrativas careciam de ineditismo ou substância para impulsionar o esclarecimento dos fatos. Na visão da PF, porções expressivas dos depoimentos propostos já integravam o acervo de conhecimento dos agentes, somando-se ao fato de que os relatos não vieram respaldados por elementos de convicção materiais capazes de atestar a veracidade das teses levantadas. Alinhada a essa percepção, a PGR deliberou que o escopo oferecido descumpria os parâmetros legais exigidos para a chancela de um acordo dessa natureza.
Vorcaro segue sob custódia cautelar no Distrito Federal, figurando como alvo central dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, a apuração que esmiúça práticas associadas a suborno, ocultação de bens, associação criminosa e fraudes no âmbito do antigo Banco Master.
A condução processual está sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, do STF, que impôs inclusive sigilo quanto à comunicação do custodiado com o ambiente externo durante sua permanência na unidade prisional. Mesmo frente aos sucessivos reveses institucionais, a representação jurídica do réu mantém o posicionamento de que reunirá novas evidências que demonstrem a viabilidade das negociações. Até aqui, todavia, tanto a Polícia Federal quanto a PGR permanecem irredutíveis em sua oposição ao ajuste, sob o entendimento de que os termos ofertados não agregam valor ao diagnóstico já consolidado nas apurações.