O chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve uma audiência na segunda-feira (29) com a parlamentar Teresa Leitão (PT-PE), marcando o debute dos diálogos institucionais após sua ascensão ao comando da bancada governista no Senado. A legisladora assumiu o posto em substituição a Jaques Wagner (PT-BA), que se desligou das funções depois de ser incluído nas frentes de apuração da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, apuração focada em transações do Banco Master e de seu criador, Daniel Vorcaro.
Por meio de manifestação em redes sociais, a senadora informou que debateu com o mandatário os projetos estruturantes da gestão e a organização da base aliada no parlamento. O encontro teve ainda o suporte do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães.
“Fui recebida pelo presidente Lula para a primeira reunião desde que assumi a honrosa missão de liderar o Governo no Senado, tornando-me a primeira mulher a ocupar essa função”, registrou a política pernambucana. Na mesma postagem, ela detalhou que as conversações englobaram os: “próximos passos para garantir que as pautas de interesse do povo brasileiro continuem avançando”.
A nomeação de Teresa na função de liderança da gestão federal foi chancelada em suplemento do Diário Oficial da União na última quinta-feira (25). Anteriormente, ela exercia a coordenação da ala petista no Senado. Devido à sua promoção, a legenda precisará apontar uma nova liderança partidária para representá-la no plenário.
O antigo titular, Jaques Wagner, formalizou seu afastamento na quarta-feira (24). Dias antes, em 18 de junho, o baiano foi alvo de medidas de busca e apreensão da PF, motivadas por indícios de repasses ilícitos vinculados a vantagens parlamentares destinadas à instituição financeira.
A congressista assume o direcionamento político em um ambiente de forte atrito entre a Presidência e o Senado, potencializado por revezes políticos amargados pelo Palácio do Planalto. O principal desgaste envolveu o veto ao nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o assento vago no Supremo Tribunal Federal (STF), assinalando a primeira desaprovação a uma indicação presidencial para a Suprema Corte em mais de um século.
Esse insucesso na votação foi apontado por correligionários como um elemento de desgaste terminal para Wagner, que havia garantido ao presidente a viabilidade do nome de Messias. O senador havia se reunido com Lula no Planalto justamente em 29 de abril, data da sabatina do titular da AGU.
Somado a isso, o Palácio do Planalto enfrenta uma atmosfera de distanciamento com o chefe do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), visto que ambos os líderes não realizaram agendas oficiais bilaterais desde o revés da indicação jurídica.