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Lula tem queda de votos no Nordeste após operação contra Jaques Wagner na Bahia
O estudo, realizado com base em 2.009 entrevistas entre 26 e 28 de junho, revelou que o atual mandatário soma 61% da preferência regional em um cenário projetado de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
30/06/2026 13h13
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Sérgio Lima / Poder360

O chefe do Executivo Federal, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), registrou um recuo de cinco pontos percentuais na preferência do eleitorado do Nordeste após a ação da Polícia Federal direcionada ao parlamentar Jaques Wagner (PT-BA). A operação, motivada por indícios de propina envolvendo o Banco Master, gerou reflexos imediatos no diagnóstico estatístico BTG/Nexus publicado na segunda-feira (29).

O estudo, realizado com base em 2.009 entrevistas entre 26 e 28 de junho, revelou que o atual mandatário soma 61% da preferência regional em um cenário projetado de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O índice atual contrasta com o desempenho obtido no levantamento anterior da mesma instituição, divulgado em 15 de junho (com 2.017 questionários aplicados entre os dias 12 e 14), oportunidade em que o petista contabilizava 66% das intenções na região.

O Peso Estratégico do Território Baiano

A retração nas urnas simuladas é apontada como consequência direta do desgaste institucional decorrente dos mandados cumpridos contra Wagner em 18 de junho. Analistas consultados pela revista VEJA destacam o elevado protagonismo político do senador em solo baiano, fator que vincula o seu desgaste de imagem ao desempenho de toda a engrenagem majoritária do partido no estado.

A Bahia concentra o principal polo de votantes do Nordeste e garantiu patamares superiores a 70% dos votos para Lula na ampla maioria das cidades no último pleito. Essa força regional é tida como peça-chave na estratégia de continuidade no Palácio do Planalto, funcionando historicamente como um contrapeso aos índices desfavoráveis acumulados pelo governo nas regiões Sul e Sudeste.

Blindagem e Mudanças Urgentes de Itinerário

Para além do desgaste político, o desdobramento policial custou a Wagner a chefia da liderança da gestão federal na Câmara Alta. A estratégia desenhada pelas lideranças governistas buscou estabelecer um distanciamento prudencial entre o presidente e o senador baiano, optando por um movimento coordenado para atenuar maiores prejuízos biográficos ao parlamentar.

Diante da nova realidade, o núcleo de coordenação presidencial promoveu alterações imediatas nos compromissos oficiais de Lula. Embora a viagem oficial à Bahia esteja mantida para os próximos dias, o petista cancelou sua presença em uma tradicional mobilização de rua que contaria com a participação de Wagner e do governador Jerônimo Rodrigues (PT).