Durante a 68ª Cúpula do Mercosul, o chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, manifestou sua intenção de buscar a reeleição ao cargo como um meio de 'garantir' o regime democrático nacional. Ao finalizar sua fala oficial perante os demais líderes, o governante declarou: "Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático".
O petista aproveitou a ocasião para responder às pressões da gestão de Donald Trump, nos Estados Unidos, que tem mirado o Pix sob alegações de competição desleal. Em contraponto, o mandatário exaltou a ferramenta brasileira de transferências instantâneas como um modelo global de eficácia:
"O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos, que beneficiará todos os cidadãos do Mercosul. A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco, ampliará o uso de moedas locais e aumentará nossa resiliência frente a choques externos", afirmou Lula em seu discurso.
Em um tom crítico, o presidente sinalizou os impactos negativos de políticas protecionistas e das tensões geopolíticas correntes. Segundo ele: "Guerras e conflitos aprofundam a instabilidade global e elevam os preços dos alimentos e da energia. O protecionismo ressurge como resposta falaciosa à complexidade dos desequilíbrios macroeconômicos globais. A fragmentação da economia mundial impõe severos desafios ao comércio, aos investimentos e ao desenvolvimento sustentável".
No que tange aos recursos naturais, Lula sublinhou que a gestão dos minerais estratégicos encontrados no território sul-americano é, antes de tudo, uma meta de salvaguarda interna: "Desenvolver cadeias regionais que incluam etapas de maior valor agregado é uma questão de segurança nacional e soberania".
Visando amenizar os desníveis entre as nações integrantes, o Brasil oficializou a destinação de US$ 100 milhões anuais ao Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (FOCEM). Esta iniciativa, divulgada previamente pelo chanceler Mauro Vieira na capital paraguaia, marca um ajuste de rota significativo: a proposta anterior, que pretendia limitar o investimento a cerca de US$ 30 milhões anuais, foi descartada após críticas de uruguaios e paraguaios.
Para o petista, o bloco "continua sendo o principal espaço institucional em uma região cada vez mais polarizada" e, por isso, deve ser preservado "acima de qualquer divergência ideológica".