Notícias Entenda o caso
Ataque a tenente foi planejado por quatro meses, segundo autoridades
s diligências revelam que os algozes vigiavam os hábitos do agente desde fevereiro, tendo já sido possível a identificação de um dos indivíduos envolvidos nos tiros
02/07/2026 09h04
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Divulgação/Polícia Militar

Conforme as autoridades policiais, a investida criminosa contra o tenente da Rota, Ronickson Pimentel dos Santos, ocorrida no último sábado (27) em São Caetano do Sul, onde foi atingido por um disparo na cabeça, foi meticulosamente arquitetada ao longo de quatro meses. As diligências revelam que os algozes vigiavam os hábitos do agente desde fevereiro, tendo já sido possível a identificação de um dos indivíduos envolvidos nos tiros.

Registros de câmeras de segurança de São Caetano do Sul flagraram um automóvel branco, empregado como suporte na evasão dos meliantes, rondando locais frequentados pelo oficial desde o início do ano. O veículo foi localizado na noite da última terça-feira (30), em um pátio em Guaianases, Zona Leste paulistana. O automóvel foi confiscado para análise técnica pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que conduz o inquérito. A dona do estabelecimento foi ouvida pelos agentes.

O militar é irmão de Eloá Pimentel, jovem assassinada aos 15 anos pelo ex-companheiro Lindemberg Fernandes Alves em outubro de 2008. Desde o atentado, ele encontra-se hospitalizado no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde passou por procedimento cirúrgico craniano. A apuração policial também constatou que a mtocicleta utilizada pelos agressores possuía queixa de roubo, datada de março, na Cidade Dutra, Zona Sul da capital. Previamente à ação, os criminosos teriam adulterado o veículo com uma placa clonada de São João de Meriti, no Rio de Janeiro. Dois indivíduos foram detidos ainda durante o fim de semana por suspeita de envolvimento.

Em relação à saúde do tenente, a Rota divulgou em seu informativo mais recente que ele permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e "apresentou resposta satisfatória às medidas adotadas pela equipe médica". Entre as melhorias notadas, destaca-se a diminuição do suporte medicamentoso para controle da pressão e uma reação positiva ao protocolo neurológico.

"O oficial permanece sem febre e com os demais órgãos funcionando adequadamente. A equipe médica dará continuidade à redução da sedação e realizará uma nova tomografia nesta quarta-feira (1º)", detalhou a nota oficial. Além disso, a corporação reforçou que o quadro clínico demonstra progresso e que novos exames de imagem ocorreram na quarta.

Sobre a recuperação, os familiares notificaram na terça-feira (30) que ele demonstrou sinais positivos, seguindo seu processo de recuperação após a operação. Conforme o boletim hospitalar, o paciente mantém estabilidade hemodinâmica,  com apoio de medicamentos para garantir a adequada irrigação cerebral. Ele segue sob sedação, monitoração neurológica constante e nutrição via sonda.

Os especialistas pontuam que os testes realizados durante o dia indicam uma condição condizente com a seriedade do trauma, com as condutas terapêuticas usuais sendo ajustadas. Os demais sistemas vitais operam de forma satisfatória. Os médicos avaliam que o avanço é gradual, porém condizente com a severidade do ferimento, sem intercorrências alarmantes até o momento. O acompanhamento é ininterrupto, com avaliações diárias realizadas conjuntamente com o corpo de neurocirurgiões. Anteriormente, em postagem nas redes sociais no domingo (28), a família relatou que Ronickson exibiu "resposta neurológica positiva" e progressão clínica favorável, mesmo diante da delicadeza da situação.

O episódio envolvendo Eloá aconteceu em outubro de 2008. O sequestro da adolescente estendeu-se por cerca de 100 horas e teve transmissão televisiva ao vivo, consolidando-se como um dos episódios criminais de maior notoriedade no Brasil.