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Em evento na Bahia, Lula exalta parceria com Jaques e o chama de “irmão”
Esta foi a primeira interação pública entre Lula e Wagner desde que este último deixou o posto de líder do governo, na semana anterior
02/07/2026 09h46
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Divulgação/PT

Durante um compromisso oficial em Alagoinhas, na Bahia, o chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva, prestou uma homenagem ao senador Jaques Wagner (PT-BA), referindo-se a ele "como um irmão". O encontro marca a reaparição pública da dupla após a deflagração de uma ação da Polícia Federal que investiga o parlamentar por supostas conexões com o Banco Master.

Lula iniciou seu discurso enaltecendo a cúpula petista baiana. Ao rememorar sua trajetória ao lado de aliados como o senador Otto Alencar (PSD-BA), o ministro Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues, o presidente declarou: "A verdade é essa: nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão —e essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser quem eu sou".

Esta foi a primeira interação pública entre Lula e Wagner desde que este último deixou o posto de líder do governo, na semana anterior. O senador é investigado por suspeitas de recebimento de vantagens ilícitas, incluindo um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões e transferências de R$ 3,5 milhões para o negócio de um familiar, alegações veementemente refutadas por sua defesa.

Laços de longa data

Mais do que um aliado político, Wagner compartilha com o presidente uma amizade de décadas. Integrante da "velha guarda" do PT, ele é um dos poucos nomes que mantêm acesso direto ao gabinete presidencial, sendo reconhecido por ser alguém que "fala a real" para o mandatário.

Lula aproveitou para recordar a trajetória política do aliado na Bahia: "Eu achava impossível o Galego [apelido de Jaques] ser candidato aqui e ganhar. Ele era meu ministro do Trabalho [2003-2004] quando ele me procurou, falou: 'Ô Lula, eu vou ter que sair porque vou ser candidato a governador'. Falei: 'Você é louco, cara. Você é louco, você tá aqui no meu governo, você diminui tudo [os índices de desemprego] no Trabalho, você vai fazer uma aventura de enfrentar o carlismo?'. Ele falou: 'Vou'. Falei: 'Wagner, você vai perder as eleições'. 'Eu vou ganhar.' E não é que o Galego veio e ganhou no primeiro turno as eleições?".

Clima de suporte e reação

Evitando abordar a investigação, Wagner concentrou-se em exaltações ao projeto governamental: "Presidente, meu abraço carinhoso. Estamos firmes aqui, defendendo o seu nome, o seu projeto e vamos para cima porque esse ano é ano de festa da democracia". O senador Otto Alencar seguiu a mesma linha, expressando solidariedade: "[Tenho] admiração muito grande por você. E você, com sua história, ao lado do presidente, não precisa nada, o povo vai explicar isso no dia 4 de outubro [data do primeiro turno]".

Internamente, o Partido dos Trabalhadores busca equilibrar a proteção a Wagner com a necessidade de distanciar a imagem do presidente de possíveis desgastes. A cautela visa evitar danos às candidaturas aliadas, dada a incerteza política gerada pela operação.

A equipe jurídica de Wagner refuta as suspeitas e destaca o histórico do senador contra a chamada "Emenda Master", proposta pelo senador Ciro Nogueira. Segundo seus representantes, "todos esses posicionamentos e atuações do senador Jaques Wagner são públicos. O próprio relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), reforçou em nota jamais ter sido procurado pelo líder do governo para tratar do assunto".