O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encaminhou uma petição ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) solicitando que a imposição de uma alíquota de 25% sobre produtos nacionais seja postergada para um momento posterior ao pleito eleitoral de outubro. Na missiva, datada de quarta-feira (1º), o parlamentar defende que a medida, da forma como está desenhada, "recompensaria os próprios infratores que deveria punir" e entregaria ao Palácio do Planalto "exatamente a vitória política que vem arquitetando".
Conforme a análise do congressista, a atual gestão tem adotado um comportamento proposital de hostilidade em relação aos norte-americanos com o intuito de manter as sanções comerciais, visto que essa tensão tem se mostrado um trunfo eleitoral para o presidente.
"O confronto com os Estados Unidos é, para o titular do cargo, tanto um ativo político doméstico quanto uma inclinação ideológica natural. O único partido beneficiado pela ação proposta é o governo responsável pela própria conduta que a ação alega combater", pontua o texto.
O senador fundamenta seu argumento em episódios como as retóricas críticas de Lula dirigidas a Donald Trump, a ausência de representantes do Brasil em audiências do USTR e a emissão de dívidas em moeda chinesa, classificando tais atos como parte de um plano sistemático. Flávio ressalta que, desde 2025, o cenário se repete: o aumento das pressões externas converte-se em ganhos nas pesquisas para o atual governante.
"Em outras palavras, as tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que ele tem perseguido: travar negociações sérias, provocar Washington a retaliar e, em seguida, converter essa retaliação em vitória política doméstica", sintetiza o documento.
Flávio Bolsonaro, que figura como pré-candidato do PL à sucessão presidencial, advoga pela interrupção imediata da sobretaxa. Em sua fundamentação, apresentou evidências de que a tarifa tem sido instrumentalizada pela administração federal e por meios de comunicação alinhados ao poder para fomentar narrativas de traição contra o grupo político de oposição.
Ele defende que sanções direcionadas, como aquelas previstas na Lei Magnitsky e restrições migratórias, seriam mais eficazes que medidas comerciais generalizadas. "Para os propósitos da USTR, a conclusão relevante é restrita e empírica: uma tarifa de 25% sobre a economia brasileira não pressiona o agente responsável pelas práticas sob investigação; ela o recompensa. Isso representa falha no padrão de eficácia previsto na lei, independentemente de qualquer preferência eleitoral", argumenta.
O senador ainda destacou o potencial impacto negativo para os interesses econômicos americanos e para os investidores estrangeiros que buscam cooperação bilateral.
Durante a exposição, o parlamentar também saiu em defesa do sistema Pix, projeto frequentemente vinculado à administração de Jair Bolsonaro (2019-2022). Embora o desenvolvimento tenha se iniciado em 2018, o apoio bolsonarista se consolidou com o lançamento oficial em 2020. Flávio qualificou a ferramenta como uma infraestrutura "soberana" e refutou a ideia de concorrência desleal com empresas privadas.
Para ele, o Pix impulsionou a formalização econômica, abrindo portas para companhias dos EUA no Brasil. O senador sugeriu, inclusive, um caminho conciliador: "O sinal decisivo seria um compromisso legislativo de que o Pix não será interligado a arranjos transfronteiriços de liquidação de pagamentos não ocidentais".
Vale lembrar que a pressão de Donald Trump para a sobretaxa baseia-se na Seção 301, que apura supostas irregularidades em setores como propriedade intelectual, comércio digital e políticas de preservação ambiental.