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Até aliados se incomodam com postura de Lula com Jaques Wagner em agenda na Bahia
Desconsiderando as recomendações emanadas por assessores presidenciais, que sugeriam manter um distanciamento institucional, o petista não apenas interagiu com o parlamentar, como o reverenciou publicamente como um familiar
03/07/2026 10h30
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: VEJA
Reprodução: Feijão Almeida/GOVBA

Integrantes do núcleo político de Luiz Inácio Lula da Silva admitiram à VEJA um certo desconforto com a atitude do chefe do Executivo diante do ex-líder governista no Senado, Jaques Wagner, durante compromissos oficiais na Bahia. Desconsiderando as recomendações emanadas por assessores presidenciais, que sugeriam manter um distanciamento institucional, o petista não apenas interagiu com o parlamentar, como o reverenciou publicamente como um familiar.

No evento ocorrido na quarta-feira (1º), Lula declarou: “Tem pouca coisa que a gente não escolhe na Bahia. A gente não escolhe pai, mãe, irmão, irmãs. A gente escolhe companheiros, e aqui na Bahia eu tenho companheiros de longa data. O que representa para mim a minha relação com o Jaques Wagner, com o Rui Costa, com o Jerônimo [Rodrigues], com vários deputados que estão aqui, e a minha relação com o Otto [Alencar]. Porque a verdade é que nem todo irmão é um amigo, mas todo amigo é um irmão. E essas pessoas, ao longo da vida, têm me ajudado a fazer o que eu faço, a ser o que eu sou”.

O político baiano precisou abdicar da função de liderança no Senado após ser incluído no radar da 9ª etapa da Operação Compliance Zero. A ação, conduzida pela Polícia Federal sob crivo do Supremo Tribunal Federal, apura esquemas de irregularidades e repasses ilícitos envolvendo o Banco Master. Desde que o caso veio à tona, setores da base aliada aconselharam o presidente a restringir demonstrações públicas de proximidade com o aliado de cinco décadas, temendo eventuais desgastes à sua futura disputa pela reeleição.

A despeito da cautela defendida por um grupo restrito, que propôs que o mandatário evitasse fotos com Wagner, o movimento não prosperou. A avaliação interna é de que tal distanciamento poderia ser interpretado como um sinal de desamparo a um parceiro de longa data, preferindo, assim, manter a lealdade política em detrimento da recomendação de prudência.