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Em meio a crises, PT e PL entram na reta final para oficializar candidatos à Presidência
O período estabelecido pela Justiça Eleitoral para esses encontros, compreendido entre 20 de julho e 5 de agosto, promete selar o encerramento das articulações internas
03/07/2026 13h18
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Gazeta do Povo
Reprodução: Ricardo Stuckert/PR / Agência Senado/Flickr

Com o cronograma eleitoral avançando, o Partido Liberal (PL) e o Partido dos Trabalhadores (PT) deram a largada na contagem regressiva para os atos que marcarão o lançamento oficial de suas respectivas corridas presidenciais. As agremiações protagonistas do pleito já sacramentaram os locais e datas das reuniões nacionais, sinalizando que a homologação dos nomes do atual mandatário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e do parlamentar Flávio Bolsonaro (PL), deve ocorrer com naturalidade, superando as instabilidades que rondam os dois espectros ideológicos.

O período estabelecido pela Justiça Eleitoral para esses encontros, compreendido entre 20 de julho e 5 de agosto, promete selar o encerramento das articulações internas. Em entrevista à Gazeta do Povo, especialistas em ciência política consideram remota qualquer alteração nas cabeças de chapa, restando apenas a lacuna sobre quem ocupará a vaga de vice no grupo bolsonarista, peça vista como fundamental para estruturar coalizões regionais.

“As surpresas deverão ficar nas escolhas para vice. Fora isso, quem precisava encontrar partido para disputar a eleição já encontrou ou desistiu”, analisa o diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, com exclusividade à Gazeta do Povo.

O PL elegeu a capital paulista para o dia 25 de julho. A opção pelo estado, gerido pelo republicano Tarcísio de Freitas, reflete a intenção de capitalizar sobre um dos bastiões mais relevantes da direita, marcando uma mudança de postura tática em relação aos certames passados.

Sete dias depois, também em território paulistano, o PT oficializará a recondução de Lula ao páreo. O partido já chancelou os limites orçamentários para a fase inicial da corrida e tem intensificado os preparativos operacionais. Após as convenções, o prazo final para oficializar o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) expira em 15 de agosto, com o início da propaganda eleitoral permitida a partir do dia seguinte.

O movimento antecipado reflete o desejo de ambas as siglas de minimizar dúvidas e focar na batalha federal. Embora enfrentem divergências internas, não há indícios de fraturas capazes de implodir as estruturas principais das chapas. O acadêmico do Ibmec-BH, Adriano Cerqueira, pondera que o gargalo reside nos âmbitos locais, notadamente em Minas Gerais. “Em São Paulo, o cenário ficou bem mais claro, enquanto em Minas há ainda grande indefinição”, pontua à Gazeta do Povo.

O entrave em Minas Gerais e os temas de campanha

A disputa pelo controle de palanques e alianças em Minas Gerais segue como o grande dilema para os dois campos, visto o peso eleitoral da unidade federativa. Decisões errôneas nestes redutos estratégicos podem impactar diretamente as chances nacionais.

Paralelamente, temas espinhosos devem permear o debate. A oposição projeta utilizar o chamado "caso Master" para desgastar o PT baiano, enquanto os governistas prometem contra-atacar mencionando episódios como o financiamento do longa-metragem "Dark Horse", que aborda a saga de Jair Bolsonaro. Ademais, o senador do PL enfrenta o desgaste gerado pela saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher. Mesmo com tentativas de mediação pela executiva partidária, Flávio tem buscado se aproximar de lideranças conservadoras femininas para estancar o impacto dessa cisão.

Por fim, a agenda diplomática servirá como combustível extra para a polarização. Lula lida com as tensões na relação com a Casa Branca, ao passo que Flávio aposta no alinhamento com Washington como vantagem competitiva. A economia e a segurança também figuram no centro da disputa, consolidando uma divisão ideológica profunda, na qual a demonstração de unidade interna nas convenções será tão vital quanto a apresentação do plano de governo.