Custodiada na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista desde o mês de maio, Deolane Bezerra mantém um quadro clínico estável. É o que diz Daniele Bezerra, irmã e também advogada da influenciadora, após concluir uma jornada de aproximadamente 1.300 km para visitá-la. Em uma publicação no sábado (4), Daniele desabafou sobre o impacto da situação: "está bem, na medida do possível".
Por conta do cansaço acumulado, ela preferiu se comunicar por texto: "Sinceramente, não estou em condições de gravar um vídeo agora. O cansaço físico e emocional falou mais alto", desabafou, aproveitando o momento para expressar gratidão pelas mensagens de solidariedade recebidas.
A influenciadora enfrenta denúncia formalizada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), sob as acusações de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. O embasamento da acusação aponta para o recebimento de valores originados da empresa Lado a Lado Transportes, suspeita de atuar como fachada para a cúpula do PCC gerir e ocultar bens da facção. Embora a defesa de Deolane conteste as acusações, sustentando a procedência lícita de suas receitas e a ausência de elos com o crime organizado, um pedido de soltura foi indeferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que optou por aguardar o desfecho de recursos pendentes no TJ-SP.
Paralelamente ao trâmite penal, o Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) impôs a suspensão cautelar de Deolane Bezerra. A decisão impede a profissional de advogar enquanto corre o processo disciplinar interno. Esta deliberação, válida inicialmente por 90 dias e prorrogável até 1 ano, foi tomada no entorno da Operação Vérnix.
Os dados levantados pelas autoridades sugerem uma movimentação atípica de mais de R$ 1 milhão, via depósitos fracionados entre 2018 e 2021, valores supostamente incompatíveis com o faturamento declarado da influenciadora. A polícia investiga se a carreira pública de Deolane servia para conferir uma aparência de legitimidade à movimentação financeira da organização criminosa. Entre os demais denunciados na mesma ação estão Marco Willians Herbas Camacho, o "Marcola", além de familiares e outros operadores financeiros apontados como ligados ao PCC.
O desdobramento das investigações remete à apreensão de documentos e bilhetes na Penitenciária II de Presidente Venceslau, em 2019, que revelaram uma estrutura de empresas utilizada pelo crime organizado.
Quanto aos processos disciplinares, a OAB-SP reitera que atua de forma rigorosa sob sigilo, conforme estabelece a legislação pertinente. A medida de suspensão, vale destacar, foi tomada logo após a entidade ter se envolvido na discussão sobre as prerrogativas da advogada. Anteriormente, a Ordem chegou a sinalizar um pedido de habeas corpus em favor de Deolane, focando exclusivamente na necessidade de garantir condições de custódia adequadas em Sala de Estado-Maior, argumento que a entidade considerou não estar sendo cumprido no complexo penal de Tupi Paulista.