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Michelle diz que inclusão “está acima de ideologia” ao rebater críticas; entenda
Para a ex-primeira-dama, temas de inclusão devem ser analisados pelo valor intrínseco, sem se prender à origem da proposta
06/07/2026 12h27
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: PL Mulher/Divulgação

Michelle Bolsonaro (PL) utilizou suas redes sociais no sábado (4) para rebater as contestações que enfrentou após ter teceu elogios à Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, recentemente instituída pela gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um novo post, a ex-primeira-dama pontuou que o zelo pelas pessoas com deficiência "está acima de qualquer ideologia ou partido" e reforçou que seu reconhecimento não significa um endosso ao atual governo.

Para a ex-primeira-dama, temas de inclusão devem ser analisados pelo valor intrínseco, sem se prender à origem da proposta. Como argumento, citou que o ex-presidente Jair Bolsonaro sancionou, em 2023, a Lei Amália Barros, um projeto de autoria de um parlamentar petista que classificou a visão monocular como uma deficiência sensorial.

Ela ainda reivindicou a autoria do projeto de educação bilíngue, sustentando que o planejamento foi criado durante o mandato de seu marido. De acordo com o relato, o programa foi arquitetado por seu corpo técnico, mas acabou barrado por entraves jurídicos que impediram a execução antes da transição de poder.

"Mais importante do que quem assina a política pública são as pessoas que serão beneficiadas por ela", pontuou Michelle, ao reiterar seu apoio à causa dos surdos.

Repercussão negativa na ala bolsonarista

O posicionamento veio logo após a ex-primeira-dama ter classificado a medida do MEC como um "sonho realizado", o que gerou forte insatisfação entre os seguidores de Jair Bolsonaro. Diversos legisladores e influenciadores digitais criticaram a postura, alegando que ela estaria conferindo ao petismo os créditos de um projeto formulado no governo Bolsonaro. Em alguns círculos virtuais, chegaram a circular edições fotográficas ligando a ex-primeira-dama ao PT.

Clima de incerteza no PL

Este caso agrava as tensões que Michelle tem atravessado recentemente no Partido Liberal. No encerramento de junho, ela trouxe a público uma discussão com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), alegando ter sido alvo de desrespeito em um diálogo por telefone, uma situação que forçou o parlamentar a publicar uma retratação pública. O vídeo evidenciou as fraturas na sigla e precedeu o afastamento de Michelle da presidência do PL Mulher, um movimento visto por lideranças como um esforço para conter o desgaste decorrente dessa crise de relacionamento.