Para suavizar a rejeição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) junto ao público feminino e impulsionar sua candidatura à Presidência, a equipe do senador decidiu investir pesado na imagem de sua esposa, Fernanda Bolsonaro. A estratégia, que já estava no radar da equipe, ganhou caráter de urgência após o desgaste causado pelo embate público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Fernanda, que é dentista, está sendo preparada com treinamentos para gravação de vídeo e deve intensificar sua agenda ao lado do marido. O objetivo é que ela utilize sua expertise profissional para debater políticas de saúde, especialmente as voltadas para o universo feminino. Nas redes sociais, ela tem se posicionado como peça-chave na construção da narrativa de que o marido seria um "Bolsonaro moderado". Em um dos registros, ela declara: "Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado. Reeduquei ele. O povo brasileiro pode esperar um presidente com muita garra pra lutar por esse país, pra lutar por justiça", disse Fernanda em uma das gravações feitas pela pré-campanha.
Após as recentes desavenças familiares, Fernanda saiu em defesa do cônjuge na internet: "Como esposa, eu escolho olhar para aquilo que vejo todos os dias: um homem leve, respeitoso, carinhoso, restaurado e um pai dedicado às nossas duas filhas", afirmou. Além disso, ela tem acompanhado o senador em compromissos públicos, como reuniões com grupos de mulheres, onde o parlamentar tem buscado se distanciar de declarações misóginas, questionando, por exemplo: "A minha esposa também está incluída nesse pacote de mulheres que não sabe votar?".
Vale lembrar que Fernanda teve seu nome envolvido no caso da "rachadinha", episódio em que a quebra de seu sigilo bancário revelou depósitos em espécie feitos pelo ex-assessor Fabrício Queiroz, embora as provas tenham sido anuladas judicialmente em 2021.
Enquanto a pré-campanha explora a imagem de Flávio como "pai de menina", em um movimento para contrapor declarações polêmicas passadas do clã, a equipe mantém a decisão de preservar suas filhas menores de idade. Paralelamente, o projeto "Brasil Por Elas", coordenado por Daniella Marques, busca atrair o eleitorado feminino com pautas econômicas e o suporte a mães atípicas, em uma tentativa clara de disputar os votos de mulheres, setor onde o senador enfrenta seus maiores desafios estatísticos.