Gilberto Kassab, que preside o PSD e figura na corrida eleitoral como postulante a vice-presidente, avalia como improvável um rompimento definitivo de Michelle Bolsonaro com o PL no curto prazo. Contudo, o político sinaliza que a legenda estaria de portas abertas para receber a ex-primeira-dama após o fechamento das urnas.
Durante conversa exclusiva com o UOL na terça-feira (7), o líder partidário destacou a influência da ex-gestora do PL Mulher: “Ela é uma pessoa respeitada. Como primeira-dama ela teve um trabalho de articulação junto às mulheres. Partidariamente e também nos programas sociais do governo, ela tem esse trabalho junto aos evangélicos. Isso tudo dá a ela uma dimensão de participação no processo político bem razoável. É evidente que seria bem acolhida”.
O afastamento de Michelle da chefia do braço feminino do PL ocorreu na esteira de um desentendimento público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome da sigla para o Palácio do Planalto. Kassab prefere não se aprofundar nos detalhes do que chamou de “crise familiar”, mas alerta que a preservação da unidade no clã Bolsonaro é fundamental para evitar danos ao desempenho da chapa.
Atualmente, o PSD ostenta uma estrutura robusta com seis governadores, mais de 890 prefeitos e uma bancada parlamentar composta por 48 deputados federais e 14 senadores. A cúpula da agremiação projeta o pleito de 2026 como o momento ideal para consolidar sua influência no Poder Legislativo.
Na leitura do dirigente, o embate público protagonizado pelo clã pode comprometer o suporte do eleitorado feminino, notadamente o segmento evangélico, que se aproximou da sigla por influência de Michelle. Para o pessedista, se a instabilidade interna não for contornada, o reflexo nas urnas será inevitável.
Sobre a corrida presidencial, Kassab, que compõe a chapa ao lado do goiano Ronaldo Caiado, demonstra ceticismo quanto às chances de Flávio Bolsonaro em uma rodada decisiva contra o atual mandatário. Em sua projeção, “o futuro presidente será ou o Lula, ou o Caiado”.
No âmbito paulista, o cenário desenha uma curiosa divergência. Embora o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) esteja ao lado de Flávio, enquanto o PSD apoia a chapa de Caiado, Kassab enfatiza que o compromisso de sua sigla com a administração de Tarcísio permanece inalterado.