Um novo capítulo de divergências dentro do espectro conservador veio à tona nesta terça-feira (7), motivado por críticas disparadas pelo deputado federal Zé Trovão (PL-SC) em direção ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O congressista classificou a postura adotada pelo antigo chefe do Executivo após o pleito de 2022 como omissa, o que desencadeou uma onda de contestações por parte dos filhos do ex-líder do país, sendo qualificada por Jair Renan como “canalhice”.
O estopim ocorreu durante uma participação de Trovão no Quintow Podcast, na última quinta-feira (2), onde comentou sobre o período de reclusão de Bolsonaro logo após sua derrota para o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao avaliar aquele momento, o deputado não poupou adjetivos: “Covarde. Não podia ter feito aquilo porque hoje tem milhares de pessoas presas. Eu não admiti o que foi feito. Tinha que ter falado: ‘perdi as eleições, seja de maneira democrática ou não'”, pontuou.
Para o parlamentar catarinense, a decisão de manter-se reservado foi um equívoco que trouxe consequências nefastas, consumindo hoje grande parte de sua agenda em prol daqueles detidos pelos eventos de 8 de janeiro. “O presidente Bolsonaro errou. Aquilo, para mim, não foi certo. Aquilo gerou o que nós não queríamos que gerasse: prisão de pessoas inocentes. Hoje eu tenho que gastar meu tempo político para brigar, de alguma maneira, para tentar tirar aquelas pessoas da cadeia”, justificou.
A repercussão foi imediata no núcleo familiar e entre apoiadores próximos ao ex-presidente. Nomes como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, o vereador Jair Renan e o comentarista Paulo Figueiredo saíram em defesa do ex-mandatário.
Por meio das redes sociais, Jair Renan disparou contra o deputado, sugerindo oportunismo político diante da atual impossibilidade de defesa do pai. “Aproveitadores sabem que meu pai está impedido de se defender e tentam manipular a história. Os presos políticos de 8 de janeiro e meu pai são vítimas, e posturas como essa contribuem para que a perseguição continue”, rebateu.
Paralelamente, Eduardo, que se encontra nos Estados Unidos, utilizou sua plataforma no X para repudiar as falas de Trovão, compartilhando críticas de Figueiredo. O comunicador sugeriu, inclusive, uma suposta articulação envolvendo o ministro do STF, Alexandre de Moraes, para garantir a liberdade do deputado, cobrando, assim, um reconhecimento por parte do parlamentar.
Eduardo ainda trouxe à tona o período em que Trovão esteve no México para evitar uma detenção ordenada pela Corte, relembrando que o deputado posteriormente concorreu a cargos eletivos pela sigla de seu pai. Ao finalizar o desabafo, o filho do ex-presidente foi enfático: “Vou poupá-los do que estou pensando”.
Vale ressaltar que os ataques mencionam o contexto de 2021, época em que o parlamentar teve sua prisão preventiva determinada pelo Supremo sob a acusação de fomentar movimentos antidemocráticos e atacar a instituição.
Lembro dessa história. Zé Trovão estava refugiando-se no México e vendo como poderia voltar ao Brasil.
— Eduardo Bolsonaro🇧🇷 (@BolsonaroSP) July 7, 2026
E além de ter se livrado, ainda saiu candidato pelo partido de Bolsonaro, para agora chamá-lo de covarde.
Eu vou poupá-los do que estou pensando…
🎥 @pfigueiredo08 pic.twitter.com/3UcwFwnhTA