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Aécio Neves descarta candidatura ao Planalto e revela estratégia para 2030
O congressista detalhou que a tática da sigla consiste em utilizar o próximo ciclo eleitoral para sedimentar uma proposta sólida de “terceira via” voltada ao horizonte de 2030
09/07/2026 11h07
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Estadão
Reprodução: Jefferson Rudy/Agência Senado

O dirigente máximo do PSDB, o deputado federal Aécio Neves (MG), comunicou que a legenda não lançará um postulante próprio ao Palácio do Planalto no pleito de 2026. Em depoimento concedido ao Estadão na quarta-feira (8), o congressista detalhou que a tática da sigla consiste em utilizar o próximo ciclo eleitoral para sedimentar uma proposta sólida de "terceira via" voltada ao horizonte de 2030.

"Olha, depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição. Isso foi cogitado há pouco tempo", declarou ao Estadão, recordando que, anteriormente, chegou-se a discutir seu próprio nome ou o do ex-ministro Ciro Gomes para a cabeça de chapa.

Entretanto, Ciro segue rumos distintos, focando seus esforços na reconquista do governo do Ceará. Sua estratégia de buscar o Palácio da Abolição, visando desbancar a atual administração de Elmano de Freitas (PT), tem provocado instabilidade no PL. Enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e André Fernandes (PL-CE) defendem uma articulação pragmática com o ex-ministro, Michelle Bolsonaro mantém uma postura de distanciamento, rememorando atritos passados entre o político cearense e seu marido.

O posicionamento de Aécio: entre a oposição conceitual e o repúdio aos extremos

Questionado sobre um hipotético cenário de segundo turno entre o atual mandatário Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, o tucano enfatizou que sua trajetória é pautada por uma “oposição conceitual” ao petismo, longe de qualquer animosidade pessoal. "Fui governador [de Minas Gerais] com o presidente Lula, mas eu fazia uma oposição conceitual a ele. Mas nunca fui inimigo do Lula. Acho que o governo do PT vem fazendo mal ao Brasil, porque se está de novo vendo que no PT virou o poder pelo poder", pontuou.

Por outro lado, embora compartilhe convergências ideológicas com a agenda liberal defendida por Paulo Guedes, Aécio demarcou fronteiras contra o que descreveu como um flerte com regimes antidemocráticos. "Confesso que do outro lado poderia dizer até que eu tenho, do ponto de vista da economia, uma visão mais liberal, então é mais próxima ao que o Paulo Guedes pregou lá atrás. [...] Eu sou filho da democracia, eu começo minha trajetória lutando com a ditadura. Quando alguém flerta contra o regime democrático, flerta com autoritarismo, isso me incomoda", ressaltou ao veículo.

Relembrando seu papel protagonista no confronto eleitoral de 2014, o deputado lamenta a atual "armadilha de radicalização política" que, na sua avaliação, mantém a nação refém de uma polarização nociva entre PT e PL. "Meu papel hoje, repito, ao retornar à presidência do PSDB, é dizer que existe vida inteligente entre os extremos e que nós vamos liderar um projeto para o Brasil", arrematou.