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Valdemar Costa Neto descarta sucessora para Michelle no PL Mulher
Na visão do cacique partidário, nenhuma outra filiada da organização possui o perfil necessário para substituir a ex-primeira-dama na liderança da ala feminina
10/07/2026 12h55
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Estadão
Reprodução: PL/Beto Barata

O dirigente máximo do PL, Valdemar Costa Neto, reiterou na quarta-feira (8) que a legenda descarta a sucessão de Michelle Bolsonaro no comando do PL Mulher. Na visão do cacique partidário, nenhuma outra filiada da organização possui o perfil necessário para substituir a ex-primeira-dama na liderança da ala feminina. As informações são do Estadão.

"Sem querer desmerecer as mulheres do nosso partido, aliás, são muito melhores do que os homens, nós não temos ninguém a altura da Michelle. A Michelle tem um poder muito grande de comunicação, fala bem, tem imagem boa e é dedicada", pontuou o político a repórteres durante um almoço com entidades parlamentares.

Ao ser provocado sobre a viabilidade de nomes como as deputadas Bia Kicis (DF), Caroline de Toni (SC) ou Júlia Zanatta (SC) assumirem o posto, Costa Neto ponderou: "Nomes nós temos, mas você já imaginou? Se a gente colocar uma, você sabe como é mulher, né?".

O presidente da agremiação ventila a ideia de suprimir a presidência nacional do núcleo feminino, centralizando as decisões nos diretórios estaduais, que gozariam de independência. Contudo, ele condicionou qualquer mudança na estrutura à vontade da ex-primeira-dama: "Se a Michelle repensar, eu faço o que ela quiser", assegurou.

Michelle comunicou em 30 de junho sua renúncia ao cargo, sob a justificativa de precisar "dedicar-se integralmente" ao esposo, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e aos filhos. O anúncio sucedeu um período de profunda reflexão familiar. Ela estava à frente da Secretaria Nacional desde março de 2023.

O desfecho de sua gestão ocorreu durante um desentendimento público com o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que veio à tona por meio de vídeos compartilhados pela própria ex-primeira-dama na internet.

Segundo os relatos de Michelle, ela foi "humilhada" pelo parlamentar durante divergências acerca das estratégias do PL no Ceará para o pleito. "Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política", detalhou no vídeo de suas redes sociais.

Persiste a incerteza quanto à manutenção de sua pré-candidatura ao Senado. De acordo com o líder do PL, no momento em que oficializou a saída da presidência do braço feminino, Michelle ventilou que "talvez não fosse candidata a senadora".

Embora lideranças da legenda mantenham o otimismo quanto à sua permanência na corrida eleitoral, internamente já se desenham cenários caso ela opte por retirar seu nome, prevendo o possível redirecionamento de seu capital político para outras lideranças da agremiação.

Uma das alternativas cogitadas é a deputada federal Bia Kicis, que poderia herdar o protagonismo eleitoral. A parlamentar esclareceu que o planejamento original visava um "voto casado Michelle e Bia", mas sublinhou que manterá seu projeto político independentemente da decisão final da ex-primeira-dama sobre a disputa ao Senado.