A caminhada rumo ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro já apresenta ritmo acelerado. Conforme revelou a jornalista Débora Bergamasco, da CNN Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro planeja redigir uma carta manuscrita formalizando seu suporte aos arranjos estaduais do PL, assim que o desenho dos palanques locais estiver concluído.
O propósito desse texto é servir como um aval do patriarca às diretrizes adotadas pelo partido e pelo senador, abrangendo a composição de chapas para os executivos estaduais e as cadeiras no Senado. O objetivo central é blindar a unidade da legenda e do clã contra possíveis desavenças. O estopim para essa manobra foi o cenário cearense, que gerou descontentamento em Michelle Bolsonaro por divergir de suas preferências pessoais.
"A ideia é que a mensagem dessa carta possa empoderar as decisões do PL, as decisões de Flávio Bolsonaro, empoderar Flávio mesmo", detalhou Bergamasco. O cálculo político é claro: o endosso de Jair Bolsonaro agiria como uma instância suprema de autoridade. "Se em algumas horas dizem que Bolsonaro é o líder, falou, está falado, se ele assinar, vai ter que respeitar", pontuou a jornalista. Com as convenções partidárias agendadas para o fim do mês, o foco total do senador, após seu regresso de viagem internacional, será o fechamento dessas alianças locais.
Ao retornar ao Brasil, Flávio comentou publicamente sobre a expectativa quanto ao papel de sua madrasta no pleito. "Estou sempre aberto aqui a conversar, sempre esperando o tempo que ela achar que é o suficiente para ela estar com a gente na campanha, vestindo a camisa, porque eu tenho certeza que a Michelle pensa igual a mim. Ninguém aguenta mais quatro anos de PT, o Brasil não aguenta mais quatro anos de PT", declarou.
Para a analista Edilene Lopes, contudo, a fala do parlamentar carrega uma tática deliberada de pressão. Ao adotar uma postura aparentemente diplomática, ele moveu o tabuleiro para que a ex-primeira-dama se manifeste. "Flávio Bolsonaro usou uma estratégia muito poderosa, mas também muito básica de persuasão, que é inverter o controle da conversa", avaliou Lopes à CNN Brasil. Na análise da especialista, a iniciativa deixa Michelle sob o holofote: se ela se engajar, o conflito ganha uma trégua pública; caso se mantenha afastada, a divergência torna-se inequívoca. "Se ela topar participar, vai ser uma pacificação pelo menos aparente da relação entre os dois. Se não, fica claro, fica evidente o racha, mas ele soltou a bola e jogou nos pés dela", finalizou a comunicadora.