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Marina Silva reage às críticas de Tarcísio por disputar eleição em SP: “Arrogância”
Segundo a ambientalista, o político exibe “arrogância ao achar que a generosidade e o acolhimento devem ser monopolizados por ele e seu grupo político”
10/07/2026 14h15 Atualizada há 2 meses
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Carta Capital
Reprodução: Victor Freitas/EPTV / Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

A ex-titular da pasta do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), declarou à CartaCapital na quinta-feira (9) que o chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adota uma postura de “dois pesos e duas medidas” ao colocar em xeque sua postulação ao Senado pelo estado. Segundo a ambientalista, o político exibe “arrogância ao achar que a generosidade e o acolhimento devem ser monopolizados por ele e seu grupo político”.

Na quarta-feira (8), Tarcísio disparou que tanto Marina, nascida no Acre, quanto Simone Tebet (PSB), originária do Mato Grosso do Sul, teriam sido sancionadas com um “cartão vermelho” em suas terras natais, motivo pelo qual estariam buscando o eleitorado de São Paulo. O governador ainda sentenciou: “Se fossem concorrer por lá, não seriam eleitas”. E acrescentou: “E, pode ter certeza, não serão aqui também. Porque a gente não vai deixar, a gente vai trabalhar para ter a melhor representação.”

Horas antes, Tebet havia respondido à altura, pontuando que não houve necessidade de “dar endereço alheio” para viabilizar seu pleito. O argumento toca na origem carioca de Tarcísio, que, sem laços pregressos com o território paulista, foi indicado por Jair Bolsonaro (PL) ao comando estadual em 2022, um episódio marcado pela polêmica em que o então postulante não soube sequer indicar onde realizaria seu voto.

Em entrevista à CartaCapital, Marina reiterou o tratamento assimétrico entre sua trajetória e a do gestor estadual. “É uma atitude de dois pesos e duas medidas”, definiu. A candidata fez questão de elencar seus longos vínculos com São Paulo: um casamento com um paulista de quase quatro décadas, relações familiares em Santos que remontam a 1979 e a honraria de cidadã paulista concedida em 1995.

Para a ex-ministra, o espírito de acolhimento do estado não é propriedade de nenhuma facção partidária. “A generosidade não é monopólio de ninguém. A única coisa que eu consigo ver é uma visão de quem acha que pode medir com uma régua e medir os outros com outra régua. E ainda tem a arrogância de achar que a generosidade e o acolhimento devem ser monopolizados por ele e seu grupo político”, completou.

Na análise de Marina, as investidas também denunciam uma resistência à ascensão feminina em esferas decisórias, observando que a movimentação geográfica de homens na política costuma ser tratada com naturalidade, enquanto a das mulheres desperta reações distintas.

O cenário eleitoral, segundo levantamento Datafolha de terça-feira (7), coloca a ambientalista na ponta, com 18% das intenções de voto. Tebet figura em segundo lugar, com 16%, em empate técnico com Ricardo Salles (Novo), que possui 13%, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.