Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficará sem poder visitar o pai, Jair Bolsonaro, durante um dos períodos mais importantes da corrida eleitoral. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou a suspensão das visitas do senador ao ex-presidente pelos próximos 90 dias.
Com a decisão, Flávio só poderá voltar a encontrar Jair Bolsonaro após o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O prazo estabelecido pelo ministro termina em 11 de outubro, uma semana depois da votação.
A medida foi tomada após Flávio divulgar, nas redes sociais, uma carta assinada por Jair Bolsonaro em apoio à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto. No documento, o ex-presidente afirma que o filho é seu "porta-voz" e o nome escolhido para representá-lo politicamente.
Brasília, 11/Jul/26
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 11, 2026
CARTA AOS BRASILEIROS
“Saudoso do contato com o povo, ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para o futuro de todos nós.
O momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças, e cada um se empenhar pelo nosso… pic.twitter.com/5WM7FCjXr4
Além de proibir as visitas, Moraes concedeu prazo de 48 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro informe se ele tinha conhecimento de que a carta seria divulgada. O ministro também avalia se a publicação violou as medidas cautelares impostas ao ex-presidente, que está proibido de utilizar redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
Na decisão, Moraes ainda destacou que o texto apresenta expressões com conteúdo equivalente a pedido explícito de voto e determinou que o Ministério Público Eleitoral apure se houve eventual prática de propaganda eleitoral antecipada.
A defesa de Flávio Bolsonaro reagiu imediatamente. Em nota, o advogado da pré-campanha do senador, Tracy Reinaldet, classificou a decisão como "ilegal e inconstitucional", afirmando que a medida desrespeita a Constituição, a Lei de Execução Penal e o Estatuto da Advocacia.
Segundo o advogado, além de ser filho do ex-presidente, Flávio também atua como advogado de Jair Bolsonaro, o que, na avaliação da defesa, garantiria o direito de comunicação entre ambos durante o cumprimento da prisão domiciliar.