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Aliados de Flávio Bolsonaro criticam decisão de Moraes e comparam à prisão de Lula
O senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua na chefia da oposição no Senado e coordena a pré-campanha de Flávio, argumentou que o magistrado alterou os critérios aplicados em ocasiões anteriores
14/07/2026 09h56
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Redes Sociais

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestaram, nessa última segunda-feira (13), profunda reprovação à determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que suspendeu, pelo prazo de três meses, as visitas do senador ao seu próprio pai, Jair Bolsonaro (PL). O ex-presidente encontra-se sob custódia domiciliar em Brasília, sentenciado pela tentativa de instaurar um golpe de Estado.

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que atua na chefia da oposição no Senado e coordena a pré-campanha de Flávio, argumentou que o magistrado alterou os critérios aplicados em ocasiões anteriores. Parlamentares conservadores reforçaram o respaldo ao senador e questionaram a validade da sanção.

Marinho ressaltou que Moraes, em dezembro de 2025, autorizou uma entrevista de Jair Bolsonaro ao portal Metrópoles, pontuando não identificar distinção jurídica entre aquele fato e a recente publicação de uma carta pelas redes sociais do filho. O parlamentar também relembrou o histórico de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, durante o período em que esteve preso, comunicou-se via cartas e declarou suporte ao pleito de Fernando Haddad, em 2018.

Na visão de Marinho, a medida prejudica a organização da pré-candidatura e impede o convívio familiar durante o calendário eleitoral, indicando haver um “padrão” nas deliberações do STF provocadas por requerimentos do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).

Confira a declaração completa de Marinho:

“A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político. A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição.

"O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais.

“Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.

“Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa".

Outras manifestações

Carlos Bolsonaro (PL-SC), irmão mais novo do senador e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, alegou que Flávio exerce a função de defensor jurídico de Jair Bolsonaro na execução da pena, sustentando que a ordem de Moraes “rasga a OAB” e compromete prerrogativas profissionais.

Reprodução: Redes Sociais

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR), pré-candidato ao governo paranaense, sublinhou nas plataformas digitais que Lula acumulou 572 visitas no cárcere, destacando 21 encontros com Fernando Haddad, então postulante à Presidência pelo PT. O ex-juiz da Operação Lava Jato afirmou que, à época, jamais considerou restringir o direito de visita ou correspondência de Lula.

Reprodução: Redes Sociais

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) rotulou a deliberação de “coincidência” diante o ciclo eleitoral e colocou em xeque a fundamentação legal do ato, traçando paralelos com o caso Lula.

Reprodução: Redes Sociasi

Carol de Toni (PL-SC) pontuou que o bloqueio ao contato entre pai e filho fere direitos individuais e a autonomia das relações familiares.

Reprodução: Redes Sociais

Já Mario Frias (PL-SP) ratificou sua aliança com Flávio, relembrando que Jair Bolsonaro o designou como seu pré-candidato, “porta-voz” e seu “homem de confiança”.

Reprodução: Redes Sociais

O fundamento da sanção de Moraes

A deliberação do ministro sucedeu a transmissão ao vivo realizada por Flávio no último sábado (11), na qual leu um texto atribuído ao pai. Na nota, o ex-presidente formaliza o apoio à candidatura do filho, nomeando-o como seu “porta-voz” e definindo-o como “a melhor opção” para afastar o Brasil “da corrupção, da violência e do empobrecimento”. Após a leitura, Flávio afirmou ter recebido a incumbência de manter a coesão entre os aliados.

Moraes justificou a proibição de visitas pelos próximos 90 dias sustentando que o senador instrumentalizou o direito de visitação para produzir conteúdo destinado à web, burlando assim a interdição do uso de meios digitais imposta a Jair Bolsonaro como medida cautelar. O prazo estende-se, na prática, até o encerramento do primeiro turno das eleições.

O ministro também salientou a reincidência, remetendo a um evento de agosto de 2025, no qual o ex-presidente enviou uma mensagem a seguidores durante um evento em Copacabana via aparelho móvel de terceiros, fato que motivou a conversão da pena em prisão domiciliar. Para o relator, a exibição da carta no sábado demonstra que Jair Bolsonaro possuía anuência prévia sobre a estratégia de divulgação.