O círculo próximo de Michelle Bolsonaro (PL) avalia que a conduta do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi "de forma descuidada" ao tornar público o conteúdo de uma carta escrita por Jair Bolsonaro (PL) durante uma transmissão online. A análise foi detalhada pela repórter especial Adriana Negreiros, durante sua participação no UOL News, do Canal UOL.
Conforme apurado pela jornalista, o grupo de apoio à ex-primeira-dama entende que o parlamentar, que é também pré-candidato, tinha total ciência dos possíveis desdobramentos legais de sua ação. Esse movimento resultou na suspensão das visitas de Flávio ao pai, que cumpre prisão domiciliar, proibindo o contato entre ambos durante o primeiro turno do pleito.
Segundo Negreiros, o sentimento compartilhado por pessoas do convívio de Michelle é de reprovação:
"O que eu ouvi conversando com pessoas próximas a Michelle foi o seguinte: que ela considerou a atitude do Flávio muito descuidada. Ela é uma pessoa que tem uma série de cuidados no sentido de não criar problemas contínuos de Moraes, de maneira a não acabar por fazer com que o marido volte pra cadeia, e que o Flávio teria sido absolutamente descuidado. Isso não seria nem compreensível, dado que o Flávio Bolsonaro é advogado, portanto ele sabia muito bem o que estava fazendo ao ler a carta do Jair Bolsonaro nas redes sociais. Sabia quais eram as consequências possíveis daquilo", pontuou a comunicadora.
A repórter reforçou que, na visão desse núcleo, o senador conhecia os riscos inerentes, o que suscita dois questionamentos sobre sua motivação:
"Eu ouvi de uma pessoa próxima a Michelle o seguinte: ou Flávio Bolsonaro agiu de caso pensado, ou ele é um advogado muito meia-boca, nas palavras dessa pessoa, por não saber que isso aconteceria".
Por sua vez, Thais Bilenky pontuou que o esforço do senador em vincular sua imagem à do ex-presidente visava arrecadar votos, mas a estratégia acabou gerando "efeitos adversos" e intensificando rupturas internas na direita, como o conflito aberto com Michelle.
"Ele busca se associar ao pai reiteradamente para dizer para os eleitores: votem em mim, todos vocês que votaram no meu pai. Mas as iniciativas dele tiveram efeitos adversos, porque a Michelle rompeu com ele de uma maneira bastante dura com aquele vídeo e tudo que se seguiu depois", diz Bilenky.
Para o colunista Leonardo Sakamoto, o despacho que impede a interação entre Flávio e o pai promove uma reestruturação na forma como o ex-presidente se comunica com o meio externo, conferindo maior relevância política à ex-primeira-dama.
"A Michelle ganha essa função de ser a mensageira, de ser a principal interlocutora de Bolsonaro. É uma mensageira que não é neutra, de maneira alguma", concluiu o jornalista.