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Para Zema, carta de Bolsonaro é “mais que normal” e Caiado afirma que Flávio “explora” o pai
Durante uma conversa com a rádio CBN Santos na terça-feira (14), Zema argumentou que a troca de correspondências entre um indivíduo encarcerado e seus parentes é uma atividade rotineira e inofensiva
15/07/2026 11h34
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Dirceu Aurélio/Imprensa MG | Lula Marques/Agência Brasil

Os ex-mandatários estaduais Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, manifestaram reprovação à determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que vetou as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Jair Bolsonaro (PL), atualmente em regime de custódia domiciliar.

Durante uma conversa com a rádio CBN Santos na terça-feira (14), Zema argumentou que a troca de correspondências entre um indivíduo encarcerado e seus parentes é uma atividade rotineira e inofensiva. “É algo mais do que normal, é verificável, ninguém vai mandar dentro de uma carta uma faca, uma pistola, droga, etc. É papel”, observou.

A interdição de 90 dias, aplicada pelo magistrado na segunda-feira (13), foi desencadeada por uma live realizada por Flávio no sábado (11), na qual apresentou um texto redigido pelo ex-presidente endossando sua própria pré-candidatura ao Planalto. Segundo a ótica de Moraes, o parlamentar violou a restrição imposta ao pai quanto ao uso de plataformas digitais, mesmo que via intermediários.

“É você querer tolher o direito do ser humano de se comunicar com filhos, esposa e família”, pontuou Zema. Para confrontar a postura do magistrado, o presidenciável do Novo rememorou o encarceramento de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, período em que o petista enviou mensagens e manifestou apoio à candidatura de Fernando Haddad (PT). Para o mineiro, o tratamento diferenciado revela “dois pesos e duas medidas” por parte da Suprema Corte.

Além disso, Zema ironizou a dedicação do STF ao tema: “O ministro do Supremo está perdendo tempo avaliando carta que alguém que está detido envia ou não envia. Isso, para mim, é coisa para juízes de primeira instância, para desembargador, e não para Supremo Tribunal Federal”.

O político também mencionou a relação profissional entre Viviane Barci de Moraes, cônjuge do ministro, e o Banco Master. “Isso num país sério já teria sido impeachment. Eu falo que lá no Japão tem um código de honra muito grande, o código samurai. Lá, se um político tivesse feito isso, ele já teria pego uma espada enfiado no ventre ou dado um tiro”, disparou. Zema, contudo, evitou ataques diretos a Flávio Bolsonaro, mantendo uma posição ambivalente sobre o senador.

A visão de Caiado

Em entrevista à rádio Nova Brasil na terça-feira (14), Ronaldo Caiado alegou que Flávio e Moraes estão “jogando o mesmo jogo”. De acordo com o pré-candidato, o bolsonarismo utiliza o incidente para mobilizar sua base eleitoral, enquanto o ministro, com suas deliberações sobre as visitas e o manuscrito, dita os rumos da discussão nacional. “Um se alimenta do outro”, declarou Caiado, criticando o foco em uma polêmica que, em sua visão, ignora problemas cruciais como a criminalidade organizada, o déficit tecnológico e o endividamento das famílias brasileiras.

O ex-governador de Goiás também reprovou o uso político da imagem do ex-presidente pelo filho. “Eu acho que preciso parar e respeitar o ex-presidente Jair Bolsonaro e deixar de explorar o pai, deixar de explorar a figura do ex-presidente”, afirmou, reforçando que “liderança não se transfere, a liderança se constrói”.