Um levantamento da Quaest, publicado nesta quarta-feira (15), aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua liderança em um embate direto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Atualmente, o petista detém 45% da preferência do eleitorado, enquanto o parlamentar alcança 37%.
Ao longo do primeiro semestre, o cenário oscilou consideravelmente: em junho, a diferença era de seis pontos (44% a 38%); em maio, os dois estavam em empate técnico (42% a 41%); e, em abril, Flávio chegou a superar o governante numericamente. Conforme o diretor da consultoria, Felipe Nunes, em conversa com o g1, "em um eventual cenário de 2º turno, a vantagem de Lula para Flávio seria de 8 pontos percentuais, oscilou 2 pontos positivamente no último mês".
Além disso, a gestão petista atingiu um marco simbólico: pela primeira vez desde o final de 2024, a aprovação do chefe do Executivo (48%) ultrapassou o índice de reprovação (47%).
O analista Felipe Nunes detecta uma "fragilidade" na candidatura do senador do PL, acentuada por um episódio familiar específico. "Essa fragilidade da campanha de Flávio pode ser justificada por alguns fatores. O mais expressivo deles foi o conflito com Michelle Bolsonaro, que ficou conhecido por apenas metade dos brasileiros. Os vídeos divulgados parecem ter provocado algum dano dentro da base potencial do Flávio, já que 35% da direita e 20% do bolsonarismo acham que Michelle acertou ao divulgar o vídeo", disse ao g1.
O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os dados refletem o impacto inicial de duas polêmicas recentes: a operação da PF contra Jaques Wagner (PT) e o conflito entre Michelle e seu enteado.
Quanto à disputa interna no núcleo bolsonarista, Nunes observa: "Toda essa confusão dentro da família acabou provocando uma reação que parece afastar o potencial eleitor independente do Flávio: diminuiu de 33% para 29% a percepção de que Flávio é mais moderado que sua família".
A pesquisa testou quatro possibilidades de duelo final, sendo que em todas o petista sairia vitorioso:
Lula 45% x 37% Flávio Bolsonaro
Lula 45% x 36% Ronaldo Caiado
Lula 45% x 35% Romeu Zema
Lula 45% x 33% Renan Santos
Apesar da liderança, o pleito segue aberto, visto que 35% do eleitorado ainda admite alterar seu voto até o dia do pleito, faltando menos de três meses para o primeiro turno. Entre os eleitores "independentes", que não se alinham ao lulismo nem ao bolsonarismo, Lula também mantém vantagem sobre Flávio, com 40% contra 27%.
No tocante ao bolsonarismo, nota-se uma erosão no apoio ao senador: entre os eleitores de direita que não se declaram bolsonaristas, o percentual de intenção de voto nele caiu para 74%, enquanto entre os bolsonaristas radicais a cifra recuou de 97% para 91% desde maio.