A corporação da Polícia Militar paulista comunicou, na terça-feira (14), que optou por não compartilhar "neste momento" novas informações clínicas a respeito do primeiro-tenente da Rota, Ronickson Pimentel dos Santos, que sobreviveu a um atentado ocorrido no fim de junho, em São Paulo.
A medida atende a uma solicitação direta dos parentes do oficial, conforme esclarecido pela PM, que se absteve de fornecer detalhes adicionais. A instituição reiterou que mantém o suporte integral ao militar e aos seus entes queridos, destacando: "Agradecemos a compreensão e o respeito à privacidade da família."
O boletim anterior sobre as condições de saúde de Pimentel foi disponibilizado no domingo (12). Naquela ocasião, a PM relatou que o oficial seguia em tratamento na unidade de terapia intensiva do Hospital Estadual Mário Covas, localizado em Santo André (SP). O quadro era descrito como crítico, porém estável e sob resposta positiva aos protocolos intensivos. O paciente apresentava evolução favorável após ter passado por uma traqueostomia, permanecendo sob sedação e amparo de ventilação artificial.
A agenda médica previa, para a próxima sexta-feira (17), a execução de uma traqueostomia. O exame, essencial para monitorar o fluxo e a rapidez da circulação sanguínea nas artérias do cérebro, serviria de base para que a equipe médica definisse a estratégia de retirada progressiva dos sedativos.
O oficial foi alvejado no dia 27 de junho, pouco tempo após sair de uma academia. Registros de dispositivos de segurança revelaram o instante em que uma dupla em uma moto se aproximou, efetuando disparos quando ele parou no sinal vermelho na avenida Goiás, em São Caetano do Sul.
As apurações sugerem uma ação premeditada. De acordo com a Polícia Civil, os criminosos vigiaram o cotidiano do tenente por um período aproximado de cem dias que antecedeu a investida.
Até o presente momento, três indivíduos foram detidos, enquanto as autoridades prosseguem na caça ao provável executor dos disparos. O suspeito, identificado como Hércules da Costa Siqueira, vulgo "Golias" ou "Peruca", consta na Lista Vermelha da Interpol, e o Governo paulista estabeleceu uma recompensa de R$ 50 mil por pistas que levem à sua localização.
Como represália ou decorrência do caso, sete suspeitos foram neutralizados por agentes da Rota. Entre os falecidos em Heliópolis, encontrava-se Marcelo de Jesus Dias, o "Nego Zum", que possuía vínculos com o PCC. A PM detalhou que ele era um foragido da Justiça e as diligências o identificavam como o condutor da moto utilizada no crime.
Ronickson é irmão de Eloá Cristina Pimentel, jovem que, aos 15 anos, foi mantida em cativeiro e assassinada pelo ex-namorado Lindemberg Alves, em Santo André, durante o ano de 2008.
O tenente iniciou sua trajetória na PM em 2009, tendo atuado anteriormente como fuzileiro naval da Marinha (2006-2009). Após graduar-se na Academia do Barro Branco, em 2015, ascendeu ao posto de oficial. Desde 2019, compõe o efetivo da Rota, unidade de operações especiais da força pública paulista.