Notícias CRUELDADE
Caso Helena: o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre a morte da bebê de 10 meses
Após a prisão de dois suspeitos, investigação segue aguardando laudos periciais para confirmar a causa da morte e esclarecer a dinâmica do crime
15/07/2026 16h23
Por: Mateus Pereira Fonte: Bacci Notícias
Foto: redes sociais

ALERTA DE GATILHO: esta matéria aborda violência contra criança e pode causar desconforto. Se você suspeita ou tem conhecimento de casos de abuso ou violência contra crianças e adolescentes, denuncie. O Disque 100 funciona gratuitamente e recebe denúncias de violações de direitos humanos.

A morte da bebê Helena, de apenas 10 meses, segue cercada por perguntas que ainda aguardam resposta. A criança morreu na última segunda-feira (13), em Fortaleza (CE), após dar entrada em uma unidade de saúde com indícios de violência sexual. Desde então, o caso mobiliza a Polícia Civil do Ceará e provocou comoção em todo o país.

Até o momento, a causa oficial da morte ainda não foi confirmada. A conclusão depende dos laudos da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), que também irá determinar se houve violência sexual e qual foi a dinâmica dos acontecimentos.

Segundo o depoimento da mãe, ela acordou nas primeiras horas da manhã e percebeu que a filha não reagia. Inicialmente, acreditou que a bebê estivesse engasgada. A mulher também afirmou ter encontrado um dos suspeitos sobre a criança naquele momento. Em seguida, procurou equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e levou Helena para uma unidade de saúde, onde o óbito foi confirmado.

As investigações apontam que cinco pessoas estavam no apartamento durante a madrugada: a mãe da bebê, um homem com quem ela mantinha um relacionamento recente, um primo dele e outros dois familiares. A Polícia Civil trabalha para reconstruir a sequência dos fatos e identificar a participação de cada pessoa presente no imóvel.

Durante o depoimento, a mãe esclareceu que o homem inicialmente apontado como padrasto da criança era, na verdade, um relacionamento recente. Segundo ela, os dois haviam se conhecido poucos dias antes da morte de Helena e não mantinham uma união estável. A informação foi divulgada pela coluna Na Mira, do portal Metrópoles.

Dois homens, de 22 e 26 anos, foram presos em flagrante e levados para a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca). Eles foram autuados por estupro de vulnerável seguido de morte e permanecem presos em cela isolada. Conforme a Polícia Civil, ambos apresentavam sinais de embriaguez no momento da prisão.

Além dos dois suspeitos, outras pessoas que estavam no apartamento também prestaram depoimento. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), os esclarecimentos fazem parte das diligências para definir exatamente o que aconteceu durante a madrugada.

Embora os médicos tenham identificado indícios de violência sexual no atendimento inicial, a SSPDS informou que essa hipótese ainda depende de confirmação pericial. A possibilidade de asfixia também segue sendo investigada, assim como exames genéticos que irão comparar vestígios encontrados no corpo da bebê com material biológico dos investigados.

A Polícia Civil informou que detalhes sobre a dinâmica do caso não serão divulgados neste momento para preservar o andamento das investigações. A família da criança também não se pronunciou oficialmente.

Familiares revelaram ainda que Helena enfrentava problemas de saúde desde o nascimento. Segundo a avó materna, Janaina, a bebê nasceu em setembro de 2025 após uma gestação complicada. Ela contou que a mãe sofreu uma perfuração na bexiga durante a cesariana e que Helena precisou ser reanimada logo após o parto, permanecendo internada na UTI neonatal nos primeiros dias de vida.

Desde que o caso ganhou repercussão nacional, a mãe da bebê passou a ser alvo de ataques nas redes sociais. Familiares pediram cautela diante das acusações feitas por internautas e defenderam que as investigações sejam concluídas antes de qualquer julgamento público.

O caso provocou forte comoção em Fortaleza e reacendeu o debate sobre a violência sexual contra crianças no Brasil. Helena foi sepultada na última terça-feira (14), enquanto a Polícia Civil aguarda os laudos que deverão esclarecer definitivamente as circunstâncias de sua morte.