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“Quem ama cuida”: vingança em câmera lenta
Há dois meses no ar, novela de Walcyr Carrasco e Claudia Souto dosa acontecimentos para cumprir longo cronograma
16/07/2026 05h43 Atualizada há 1 mês
Por: Flávio Melo
Foto: Globo

Toda novela tem o direito de respirar. De apresentar os personagens, plantar os conflitos e preparar o terreno para as grandes mudanças. Mas existe uma linha muito tênue entre construir uma narrativa com calma e causar a impressão de que ela está andando em círculos.

E é justamente essa a sensação que "Quem ama cuida" começa a transmitir dois meses após sua estreia. A chegada da nova fase, marcada pela saída de Adriana da prisão, prometia um ponto de virada. Afinal, durante semanas, o público foi alimentado pela expectativa de acompanhar uma revanche à altura de todo o sofrimento vivido pela personagem de Leticia Colin.

No entanto, o que se vê são movimentos tímidos, quase burocráticos, como quando Adriana vai à palestra de Ademir (Dan Stulbach) para insinuar, diante da plateia, que ele comprou testemunhas para incriminá-la.

Dramaturgicamente, é uma ação pequena demais para quem passou tanto tempo alimentando o desejo de acertar as contas. Falta impacto, tensão e aquele sentimento de que o jogo finalmente virou.

A vingança, que deveria acelerar a novela, acaba parecendo apenas mais um capítulo de preparação para algo que ainda não chegou.

Isso, porém, não significa necessariamente um erro dos autores Walcyr Carrasco e Claudia Souto. Novelas das nove carregam um desafio que poucas obras de ficção enfrentam: precisam manter uma história viva durante muitos meses. "Quem ama cuida", por exemplo, só chega ao fim em janeiro de 2027. Ou seja, é natural que os principais acontecimentos precisem ser dosados. Afinal, não faria sentido gastar toda a munição logo no início.

O problema é justamente o preço dessa estratégia. Ao segurar as grandes reviravoltas para o futuro, sacrifica-se o ritmo da produção. O público percebe que existem cartas escondidas na manga, mas precisa esperar até que elas sejam colocadas, de fato, sobre a mesa.

E, em folhetim de TV, existe uma verdade difícil de ignorar: o telespectador só sintoniza o capítulo de amanhã se o de hoje valer a pena.