Notícias Luto no jornalismo
O legado de Renato Machado, um dos maiores nomes do jornalismo da TV Globo
Jornalista morreu aos 83 anos e deixa uma trajetória marcada por coberturas históricas, passagens pelos principais telejornais da emissora e contribuições para o telejornalismo brasileiro
16/07/2026 12h39
Por: Mateus Pereira
Foto: Arquivo Globo

Renato Machado morreu na manhã desta quinta-feira (16), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro. Com mais de quatro décadas de atuação na TV Globo, o jornalista construiu uma das carreiras mais respeitadas da televisão brasileira, tornando-se referência pela credibilidade, pela experiência internacional e pela dedicação ao jornalismo.

Sua trajetória começou em 1969, como repórter do "Jornal do Brasil". Em 1982, ingressou na TV Globo e estreou cobrindo a Guerra das Malvinas, um dos primeiros grandes acontecimentos internacionais acompanhados por ele na emissora. No ano seguinte, assumiu como correspondente em Londres, função na qual acompanhou fatos marcantes da história mundial, entre eles os atentados em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl.

Ao longo da carreira, Renato Machado também esteve presente em outras coberturas históricas. Em sua segunda passagem como correspondente na capital britânica, iniciada em 2011, relatou acontecimentos como o atentado ao jornal francês Charlie Hebdo, a crise econômica na Grécia e eventos envolvendo Nelson Mandela.

Entre 1996 e 2010, viveu uma de suas fases mais marcantes ao assumir a apresentação e a editoria-chefe do "Bom Dia Brasil". Durante esse período, participou da modernização do telejornal, que passou a investir em uma linguagem mais dinâmica, maior interação entre os apresentadores e entradas ao vivo de repórteres e comentaristas. Na bancada, dividiu espaço inicialmente com Leilane Neubarth e, posteriormente, com Renata Vasconcellos.

Além do matinal, Renato Machado apresentou o "Jornal da Globo", o "RJTV" e também integrou a bancada do "Jornal Nacional", consolidando seu nome entre os profissionais mais importantes da história da emissora.

Em um depoimento ao projeto "Memória Globo", o jornalista resumiu sua visão sobre a profissão ao destacar que o telejornalismo exige aprendizado constante e domínio de todas as etapas da produção televisiva.

Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É saber curiosidades sobre grua, tráfego de câmera, enquadramento, cores, texto, edição. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que você erra.

Nos últimos anos, Renato também passou a dedicar parte do trabalho a outra paixão: o universo dos vinhos. Em 2014, produziu para o "Jornal Hoje" uma série especial na região da Provença, na França, mostrando a cultura, a gastronomia e a produção vinícola da região.

A morte de Renato Machado representa o encerramento de uma trajetória que ajudou a construir parte da história do telejornalismo brasileiro. Sua carreira permanece como referência para gerações de jornalistas, marcada pela busca permanente por conhecimento, pela precisão da informação e pelo compromisso com a excelência.