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Entenda a preparação do Brasil para novo tarifaço em meio a maior pressão comercial dos EUA
O governo norte-americano exige reduções tarifárias exclusivas para seus bens, pedido considerado ilegal pelo ordenamento jurídico brasileiro
16/07/2026 13h22
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: Reuters
Reprodução: Ricardo Stuckert/PR

O Brasil enfrenta a iminente taxação de 25% sobre mais de 4 mil produtos por parte dos EUA, totalizando US$ 15 bilhões em exportações afetadas. A medida, baseada na Seção 301 da lei comercial americana, decorre de negociações estagnadas. As informações são da Agência Reuters.

"Não houve falta de esforço da nossa parte. Houve dezenas de reuniões, seis ou sete só no último mês", disse uma fonte envolvida nas negociações, que pediu anonimato. "Mas eles querem o impossível."

O governo norte-americano exige reduções tarifárias exclusivas para seus bens, pedido considerado ilegal pelo ordenamento jurídico brasileiro. Adicionalmente, o Brasil corre o risco de sofrer um acréscimo de 12,5% em tarifas por supostas falhas na proibição de trabalho escravo em cadeias produtivas, elevando a taxação total para 37,5% a partir do dia 24.

O impasse envolve motivações técnicas, como a redução do déficit comercial dos EUA, e políticas, incluindo o alinhamento da administração de Marco Rubio à oposição brasileira. Alegações americanas sobre desmatamento e o sistema Pix foram refutadas pelo chanceler Mauro Vieira, que classificou a investigação como "arbitrária" e "pressão econômica generalizada".

O governo brasileiro avalia retaliações via Lei da Reciprocidade ou novos painéis na Organização Mundial do Comércio (OCM). Especialistas alertam que a estratégia de Washington pode ser "um tiro no próprio p´r", ao acelerar a perda de participação dos EUA no comércio brasileiro, que caiu para 9,7% no primeiro semestre, e impulsionar a influência chinesa na região.