O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, pediu a integrantes do grupo “Porta-Vozes do Lula” uma mobilização nas redes sociais contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) após o anúncio do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
Em um áudio de cerca de três minutos e meio repercutido pelo Metrópoles, Boulos afirmou que a decisão do presidente americano Donald Trump representa uma “traição” da família Bolsonaro contra o Brasil e atribuiu parte da responsabilidade ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“O tarifaço tem dois pais. Um pai é o Trump, agindo lá na Casa Branca pelo interesse colonialista dos Estados Unidos. O outro pai se chama Flávio Bolsonaro, agindo por interesse eleitoral, por traição à pátria”, declarou o ministro na gravação.
Segundo Boulos, Flávio teria tentado negociar para que a aplicação das tarifas acontecesse apenas após as eleições brasileiras. O pedido teria sido feito pelo senador durante uma audiência nos Estados Unidos em 7 de julho, quando argumentou que a medida poderia favorecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na mensagem enviada aos apoiadores, o ministro pediu que o grupo rebata a versão apresentada por Flávio e defenda a narrativa de que o governo Lula buscou negociar com os Estados Unidos sem abrir mão da soberania nacional.
“Esse time aqui, dos Porta-Vozes do Lula, tem que ser muito firme na reação. Hoje, nós temos a missão de colocar a narrativa real do que está acontecendo”, afirmou Boulos, incentivando manifestações em redes sociais, grupos de mensagens e outros espaços de debate.
Criado pelo PT, o “Porta-Vozes do Lula” é uma rede de mobilização de apoiadores do presidente para atuação digital. Segundo informações divulgadas sobre a plataforma, o grupo reúne mais de 80 mil inscritos.
O anúncio das novas tarifas pelos Estados Unidos ocorreu na quarta-feira (15). A medida prevê uma cobrança adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país e tem previsão de entrada em vigor no dia 22 de julho. O governo americano justificou a decisão com alegações de práticas comerciais consideradas prejudiciais a empresas dos Estados Unidos.
Apesar da nova cobrança, alguns produtos ficaram fora da medida, incluindo café, carne bovina, peixes, terras-raras e laranja.