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Mendonça será relator no STF de queixa-crime de Caiado contra Boulos
O caso centra-se em um conteúdo audiovisual difundido por Boulos em seus perfis digitais no dia 12 de maio
17/07/2026 15h06
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Carlos Moura/ SCO/STF

O ministro André Mendonça, integrante da Suprema Corte, foi designado para conduzir a queixa-crime protocolada por Ronaldo Caiado, ex-gestor de Goiás e postulante ao Palácio do Planalto pelo PSD, contra o titular da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. A petição imputa ao membro da administração petista os delitos de injúria, difamação e calúnia.

O trâmite processual foi registrado na última terça-feira (14), e direcionado ao gabinete de Mendonça. É importante ressaltar que essa atribuição de relatoria não implica, por ora, qualquer deliberação da Corte quanto ao fundamento das denúncias, mantendo-se o caso sob apreciação.

O caso centra-se em um conteúdo audiovisual difundido por Boulos em seus perfis digitais no dia 12 de maio. Na ocasião, o ministro vinculou acordos celebrados pela gestão goiana com a Fundação Pró-Cerrado a apurações envolvendo um possível plano de lavagem de dinheiro.

"Ronaldo Caiado e os bolsonaristas adoram dizer que são linha-dura no combate ao crime organizado. Quem vê, pensa. Esse mesmo Ronaldo Caiado está envolvido hoje em um escândalo relacionado ao crime organizado lá em Goiás. O dono de uma fundação foi preso por lavar dinheiro para o crime, e essa mesma fundação tem um contrato de R$ 141 milhões - é isso mesmo, R$ 141 milhões - com o governo de Caiado em Goiás", declarou Boulos na publicação.

Na gravação, o auxiliar do governo baseia-se em matéria do portal Revista Fórum para traçar tal conexão. Vale lembrar que, em maio, Adair Meira, empresário, foi detido em Goiânia em operação conjunta das polícias civis paulista e goiana, sob a suspeita de operacionalizar esquemas de lavagem de dinheiro para o PCC por meio de companhias sob seu controle.

Argumentos da representação de Caiado

Nos autos, o ex-governador sustenta que as diligências citadas pelo ministro dizem respeito exclusivamente a ações particulares de membros da entidade, desvinculadas dos vínculos contratuais mantidos com a administração estadual.

A equipe jurídica do pré-candidato refuta qualquer vinculação de Caiado aos fatos, rebatendo que Boulos teria arquitetado um enredo enganoso ao insinuar uma suposta participação ou anuência do então governador no ilícito.

"O cenário construído pelo querelado é, portanto, produto de desonestidade deliberada", sustenta o documento. "Tomou-se uma investigação que em nada envolve o querelante e forjou-se, a partir dela, narrativa de cumplicidade criminosa, com o exclusivo propósito de tisnar a honra e a reputação do querelante às vésperas do processo eleitoral".

Os representantes legais do político reforçam que o cargo ocupado por Boulos na cúpula do governo federal, na Secretaria-Geral, confere maior gravidade e repercussão às suas manifestações.

A posição de Boulos

Em contrapartida, o ministro manifestou-se na rede social X, reiterando que o postulante à presidência se encontra em conflito com a realidade e sugerindo que, para manter a coerência, o ex-governador deveria acionar judicialmente também a Polícia Civil de São Paulo e os órgãos de imprensa que repercutiram o episódio.