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Após nova decisão de Moraes, filhos de Bolsonaro reagem ao veto de visitas ao pai por 30 dias
Em contrapartida, no despacho expedido, o ministro ponderou que Bolsonaro não se encontra isolado do mundo exterior, visto que o convívio diário com a esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha e a enteada permanece inalterado
20/07/2026 11h33
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Roberto Jayme / Ascom / TSE

Os herdeiros do antigo chefe de Estado Jair Bolsonaro recorreram às plataformas digitais para repudiar a determinação do magistrado Alexandre de Moraes, integrante da Suprema Corte, que suspendeu a entrada de quaisquer visitantes na residência do ex-mandatário pelo período de um mês. A sanção foi aplicada depois que o político infringiu diretrizes cautelares impostas pelo tribunal.

“Pelo que tive ciência, Alexandre proibiu, em questão de segundos após a PGR, visitas de TODOS os FILHOS ao PAI”, manifestou-se o ex-parlamentar municipal Carlos Bolsonaro (PL).

Por sua vez, Jair Renan traçou um paralelo entre o tratamento dispensado a seu genitor e o período em que Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu pena nas dependências da Polícia Federal na capital paranaense. “Lula, quando esteve preso, recebia político, artista, sindicalista, e ainda foi lançado candidato a presidente de dentro da cadeia. Meu pai não pode receber um abraço de um filho dentro da própria casa. É a mesma Justiça, mas a régua muda conforme o sobrenome”, argumentou.

Já Eduardo Bolsonaro, ex-deputado que mora nos Estados Unidos, sustentou que a Constituição veda tal prática. “Não que seja relevante atualmente, mas a Constituição diz que, mesmo numa situação grave, como o Estado de Defesa, ainda assim, é proibido deixar o preso incomunicável”, pontuou, sem mencionar diretamente o relator do caso.

Em contrapartida, no despacho expedido, o ministro ponderou que Bolsonaro não se encontra isolado do mundo exterior, visto que o convívio diário com a esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a filha e a enteada permanece inalterado, somando-se à prerrogativa de receber equipes médicas e jurídicas. O ex-presidente dispõe de uma banca de 30 advogados cadastrados, entre os quais figura Flávio Bolsonaro, embora este último permaneça sob restrição específica de 9 dias para ingressar na residência.

“Em relação à sua defesa jurídica, importante destacar que o sentenciado é representado por uma equipe composta de 30 advogados com procuração nos autos, com amplo e diário acesso ao sentenciado, conforme demonstram as 60 visitas realizadas no período de prisão domiciliar humanitária por seis advogados, em regime de revezamento, estando plenamente garantida a integral comunicação do sentenciado Jair Messias Bolsonaro com sua defesa técnica”, ressaltou o magistrado em trecho do documento.

As críticas do clã político ganharam tom ainda mais duro por parte do senador Flávio Bolsonaro, que classificou a medida como um ato abusivo: “Mais uma decisão ilegal, desproporcional, covarde e cruel. O Bolsonaro foi enterrado vivo, só com a cabeça para fora da terra, e está tomando chute na cara de Moraes. Hoje foi mais um bico na boca”, vociferou.

A revogação temporária das visitas decorre da divulgação, por parte de Flávio, de uma carta manuscrita por seu pai, desrespeitando o veto imposto ao ex-presidente quanto à propagação de mensagens em redes sociais, mesmo quando intermediada por terceiros. Embora a defesa tenha alegado que o patriarca ignorava a intenção do filho de expor o documento, o ministro julgou a argumentação inconsistente. Apesar de considerar a conduta uma quebra das regras, Moraes optou por preservar a prisão domiciliar por avaliar que a infração não atingiu gravidade suficiente para revogar o benefício humanitário.