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Cientista político avalia que arquivamento no TCU não minimiza desgaste político de Janja; você concorda?
O analista político Márcio Coimbra pontuou que, embora a corte fiscal não tenha constatado ilegalidades, os críticos do governo devem capitalizar politicamente em cima das movimentações da primeira-dama no decorrer da corrida ao Palácio do Planalto
22/07/2026 13h40
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos Fonte: VEJA
Reprodução: Breno Araújo/PR

A recente determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) de arquivar a nova solicitação de auditoria acerca das viagens internacionais da esposa do presidente, Rosângela da Silva, a Janja, está longe de esgotar o embate político sobre o assunto. Em entrevista concedida ao programa, Ponto de Vista, da VEJA, o analista político Márcio Coimbra pontuou que, embora a corte fiscal não tenha constatado ilegalidades, os críticos do governo devem capitalizar politicamente em cima das movimentações da primeira-dama no decorrer da corrida ao Palácio do Planalto.

Conforme divulgado inicialmente pela coluna Radar, o órgão fiscalizador determinou o encerramento de um pleito investigativo referente a uma missão de Janja a Nova York, efetuada no ano passado em paralelo aos compromissos oficiais do chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva. O colegiado compreendeu que o caso já fora esmiuçado em ocasiões prévias, atestando a regularidade dos deslocamentos. Em contrapartida, a primeira-dama costuma rebater os ataques pontuando sua participação efetiva em pautas sociais e diplomáticas, além de atribuir boa parte das críticas recebidas a episódios de preconceito de gênero.

A repercussão na esfera política

Ao ser questionado sobre os reflexos na disputa eleitoral, Coimbra ressaltou que a polêmica sobrevive no debate público, independentemente do veredito técnico. “É legal, porém existe um questionamento acerca da moralidade desses movimentos de Janja por parte do eleitorado.” Conforme o especialista, a constância das idas ao exterior serve de combustível para os opositores, afetando a percepção popular em um cenário altamente cindido.

Na perspectiva do cientista político, as viagens configuram uma brecha que será amplamente utilizada pelos concorrentes do petista na corrida eleitoral. “Essas viagens, apesar de não serem consideradas ilegais, criam uma vulnerabilidade na campanha de Lula que certamente será explorada à exaustão pelo outro lado”, disse ao Ponto de Vista.

O analista projeta que o grupo político ligado ao PL deve vincular o assunto ao discurso de austeridade fiscal e corte de despesas do Estado, confrontando os custos externos com a conjuntura econômica. Para Coimbra, em disputas polarizadas, o uso de verbas públicas ganha força discursiva independentemente da chancela da justiça. Ele ainda destacou: “O fato é que esta decisão de Janja de atuar como uma espécie de diplomata à frente do governo brasileiro cria uma vulnerabilidade eleitoral num período onde qualquer coisa é usada para enfraquecer o outro lado diante de uma campanha tão acirrada e polarizada”.

Dessa forma, enquanto o tribunal tenha sepultado qualquer hipótese de infração legal, o tema segue vivo como ferramenta de atrito na disputa presidencial.