Diante do avanço nos riscos à sua integridade física, o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) implementou um endurecimento drástico em sua escolta pessoal. A equipe de campanha informou na quarta-feira (22) que o parlamentar passou a ser guarnecido por um contingente 30% maior de policiais legislativos do Senado em compromissos externos.
Além do reforço no número de agentes, o político determinou o uso constante de colete à prova de balas em todas as suas aparições públicas e trajetos eleitorais. O plano de contingência abrange ainda a modernização do arsenal e apetrechos bélicos dos seguranças, a expansão da frota automobilística de apoio e a implantação de uma central de comando em Brasília com funcionamento ininterrupto, durante as 24 horas do dia. O núcleo operacional fará o rastreamento em tempo real das rotas do postulante, assegurando comunicação contínua com os encarregados da proteção no campo.
A decisão decorre de um diagnóstico elaborado pelo setor de inteligência da Polícia do Senado, que constatou um salto nos riscos mapeados a partir de junho. Foram contabilizadas mais de duas mil ocorrências virtuais e presenciais englobando ameaças diretas, apelos à agressão, códigos cifrados e indícios de atentados planejados.
Os dados detalham o cenário de hostilidade:
868 ameaças diretas;
647 chamados à violência;
640 menções codificadas;
133 indícios de planejamento de ataques.
Diante do panorama, o parlamentar adotou postura firme: ”Quem acha que vai me intimidar está perdendo tempo. Não tenho medo de ameaças. Vou continuar nas ruas, ouvindo os brasileiros e lutando por um país mais livre, seguro e próspero. Nada vai me impedir de seguir firme na missão de resgatar o Brasil”.
O pico de intimidações relatado pelo entorno do candidato emparelha-se temporalmente com pronunciamentos recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em episódios distintos, primeiro em junho, durante ato público em Catalão (GO), e posteriormente na segunda-feira (20), na convenção do PDT em Brasília, o mandatário criticou o clã oposicionista e soltou declarações do tipo “antigamente traidor era enforcado”.
O receio de episódios violentos assombra a família desde a facada desferida contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, em Juiz de Fora (MG). O encorpamento da guarda pessoal de Flávio sucede, inclusive, a recusa do senador à proteção institucional oferecida pela Polícia Federal (PF) aos concorrentes à Presidência, sob a justificativa de desconfiança em relação ao comando do órgão, chefiado por Andrei Rodrigues.