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Herança? Entenda por que Elize Matsunaga recebeu quase R$900 mil mesmo após matar o marido
O fato foi detalhado pelo repórter Ullisses Campbell, responsável pelo livro biográfico Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido, durante uma conversa no podcast Universa, em 2023
27/07/2026 08h56
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: Redes Sociais

A trágica história de Elize Matsunaga retornou aos holofotes com a estreia de um filme retratando o homicídio de grande repercussão nacional. A antiga profissional de enfermagem, punida pelo assassinato e esquartejamento do companheiro, Marcos Matsunaga, virou pauta novamente ao se tornar público o recebimento de aproximadamente R$ 900 mil após o falecimento do executivo. Por qual razão Elize obteve essa quantia?

Diferente do que muitos imaginaram, essa soma não representava parte dos bens deixados, tratando-se de um benefício garantido pelas leis do país em função do contrato matrimonial firmado pelo casal.

O fato foi detalhado pelo repórter Ullisses Campbell, responsável pelo livro biográfico Elize Matsunaga: A Mulher que Esquartejou o Marido, durante uma conversa no podcast Universa, em 2023.

Conforme explicou o biógrafo, o montante arrecadado derivou da divisão de bens compartilhados, ou seja, a metade da riqueza acumulada ao longo da união.

O par mantinha matrimônio sob a modalidade de comunhão parcial, estrutura em que a aquisição patrimonial conquistada no período em que estavam juntos divide-se de forma equivalente entre as partes.

Entre as propriedades compartilhadas constava uma coleção de vinhos de elevado valor comercial adquirida no matrimônio.

Bloqueio dos bens do falecido

Mesmo tendo retido sua parcela divisória, a assassina perdeu qualquer acesso aos ativos pessoais de Marcos Matsunaga.

Isso ocorreu porque o Judiciário decretou sua exclusão sucessória por indiguidade, um dispositivo civil acionado quando um sucessor tira intencionalmente a vida do titular dos bens.

Por conta dessa decisão legal, os recursos herdados do empresário foram integralmente destinados à filha do casal, estabelecida como herdeira exclusiva.

A distinção legal dos termos

A situação costuma gerar incompreensão ao mesclar noções jurídicas distintas. A meação diz respeito à metade dos bens adquiridos conjuntamente, regulada pelo modelo adotado no casamento.

Por outro lado, a sucessão hereditária compreende o acervo que pertencia estritamente ao falecido, repassado aos herdeiros por lei. Diante da sentença definitiva pelo homicídio do esposo, Elize perdeu a chance de ser beneficiária, conservando somente a quantia que já figurava como sua por direito conjugal.