A coalizão Federação Brasil da Esperança, composta pelas legendas PT, PV e PCdoB, interpôs um recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) direcionado ao ex-parlamentar Eduardo Bolsonaro (PL). A medida contesta a veiculação de dados falsos sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e a lisura do processo de votação durante uma live ao vivo. No documento, obtido com exclusividade pela coluna de Igor Gadelha, o bloco partidário solicita o bloqueio urgente da transmissão nas plataformas digitais. O protocolo formal da ação ocorreu na segunda-feira (27/7).
As siglas sustentam que o ex-deputado conduziu uma transmissão com mais de 55 minutos de duração na plataforma YouTube, no dia 23 de julho, acompanhado do consultor argentino Fernando Cerimedo, uma figura associada à difusão de informações falsas nas eleições de 2022. Conforme pontua o requerimento, ambos ressuscitaram teses anteriormente refutadas pela Corte Eleitoral nacional, apelando a supostos "arquivos da CIA" para incutir suspeitas quanto à inviolabilidade dos equipamentos de votação. “Não se trata de equívoco, mas de deliberada reiteração de conteúdo sabidamente inverídico”, aponta o texto judicial.
Para além da derrubada da transmissão, a agremiação petista pede que a Justiça Eleitoral vede Eduardo de veicular novos materiais com idêntico teor a respeito das urnas, além da aplicação de uma multa que pode atingir R$ 30 mil ao político. A petição prevê ainda penalidade diária, com montante a ser arbitrado pelo magistrado relator, em caso de acatamento de eventual ordem proibitiva. O agrupamento partidário calcula que o vídeo veicula 11 declarações enganosas sobre a mecânica eleitoral e integra uma articulação orquestrada para desgastar a credibilidade do TSE e subsidiar futuras contestações sobre o pleito de 2026.
“As ações não decorrem de coincidência, mas do intento premeditado de deslegitimar as instituições eleitorais”, sustenta a representação obtida pelo Metrópoles.
A peça jurídica também estabelece conexão entre a transmissão ao vivo e as manifestações recentes proferidas pelo senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), acerca das urnas, argumentando que ambas as falas convergem para o mesmo discurso. Para fundamentar a exclusão do material, a federação evoca entendimentos consolidados do TSE e do STF que chancelam a legalidade de mecanismos de enfrentamento às fake news no ambiente eleitoral, sublinhando a solidez dos sistemas de votação confirmada por repetidas auditorias e testes abertos ao público.
Por fim, o documento resgata que Fernando Cerimedo já foi objeto de deliberações restritivas do Poder Judiciário Eleitoral no pleito de 2022 por disseminar narrativas infundadas sobre adulterações nas urnas.