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“Houve insultos dos dois lados”, aponta porta-voz de Milei sobre ataques ao Lula
A fala do porta-voz veio após a passagem do presidente argentino por São Paulo durante a convenção nacional do PL, ocasião em que foi oficializada a corrida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto
29/07/2026 15h54
Por: Marcela Mattiolli Colaboração para Felipeh Campos
Reprodução: EF/Juan Ignacio Roncoroni

Buscando atenuar a recente tensão diplomática entre Brasília e Buenos Aires, desencadeada pelas investidas verbais de Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva, o porta-voz do governo argentino, Adrian Ravier, tentou colocar panos quentes na situação na terça-feira (28/7). O representante ponderou que trocas de acusações sempre fizeram parte da rotina política de ambos os lados, mas sublinhou que esses atritos ideológicos jamais tinham sido transportados para o campo das relações internacionais.

"É evidente que sempre houve insultos de ambos os lados, são diferenças ideológicas, são diferenças políticas, mas pelo menos a Argentina nunca levou essas diferenças para o nível diplomático", declarou Ravier.  

A fala do porta-voz veio após a passagem do presidente argentino por São Paulo durante a convenção nacional do PL, ocasião em que foi oficializada a corrida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.

No palco do evento, Milei proferiu duras críticas ao governo brasileiro, referindo-se a Lula como "ladrão", "presidiário" e "lixo socialista". Além disso, alegou que o Brasil atravessa um quadro de "perseguição política" e disparou ataques contra o ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF).O chefe de Estado da Argentina sustentou ainda que somente Flávio Bolsonaro "pode parar Lula e trazer uma verdadeira mudança para todos os brasileiros".

No decorrer do seu pronunciamento, o governante vizinho puxou o coro de "Lula ladrão" com a plateia e voltou a investir contra Moraes por ter negado autorização para uma visita a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar devido à condenação por tentativa de golpe de Estado. Ao dirigir-se ao magistrado, chamou-o de "lixo careca".

Na segunda-feira (27), Lula desdenhou das ofensas com tom sarcástico. Quando questionado sobre as provações do colega argentino, limitou-se a dizer: "Eu? Quem é esse cara?".

Diante da repercussão dos discursos de Milei, o governo brasileiro agiu nos bastidores diplomáticos. O Itamaraty chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, de volta a Brasília para conversas e intimou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos.

De acordo com nota da diplomacia nacional, o ministro Mauro Vieira externou ao embaixador argentino a "repulsa do governo brasileiro aos impropérios emitidos pelo presidente Javier Milei durante a sua visita privada a São Paulo". A chancelaria destacou adicionalmente que não existem antecedentes de um mandatário estrangeiro ter utilizado o próprio solo brasileiro para agredir o presidente da República, os Poderes da República, o Judiciário e a população do país.