O postulante do PT ao Palácio dos Bandeirantes, Fernando Haddad, declarou na quarta-feira (29) que enxerga como “estável” a conjuntura da corrida eleitoral. De acordo com ele, a caminhada começa com uma margem desfavorável de aproximadamente dez pontos percentuais frente ao atual chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfatizando que pretende reverter a vantagem ostentada pelos levantamentos por meio de “propostas”. As informações são do Poder360.
O pronunciamento de Haddad coincide com a publicação do estudo da Paraná Pesquisas, que apontou Tarcísio liderando com 48,5% das preferências, um patamar suficiente para selar a vitória logo no primeiro pleito, já que supera a soma de todos os seus concorrentes. Na mesma amostragem, o ex-prefeito registra 35,1%. Paralelamente, dados divulgados pela Quaest no mesmo dia (29) sinalizam um desfecho idêntico, com a recondução do governador no primeiro turno.
“A nossa avaliação é que nós estamos nesse momento estáveis em uma condição muito parecida com o termo da eleição de 2022. Essa é a nossa percepção. Uma distância em torno de 10 pontos só com 2 candidatos. Então o nosso objetivo é começar a campanha nesse patamar. Com as informações que nós vamos prestar à sociedade sobre a qualidade do governo atual e as nossas propostas de mudança para melhorar as questões do Estado, eu penso que podem convencer o eleitor a dar um novo rumo para São Paulo”, disse Haddad no Club Homs, na avenida Paulista, no lançamento do Manifesto do Quilombo nos Parlamentos para as eleições de 2026, documento da Coalizão Negra por Direitos.
Em 2022, no 1º turno, Tarcísio teve 42,32% dos votos e Haddad, 35,70%. No 2º turno, Tarcísio somou 55,27% dos votos, contra 44,73% de Haddad.
O manifesto reúne 15 recomendações voltadas aos partidos políticos, à Justiça Eleitoral e à sociedade civil.
Entre elas, estão a criação de comissões para combater fraudes às cotas raciais, medidas de enfrentamento à violência política racial e de gênero, garantia da distribuição proporcional dos recursos eleitorais às candidaturas negras, ampliação da transparência nos repasses e sanções para irregularidades e discriminação durante as campanhas.
São elas:
Implementação de bancadas permanentes de verificação Étnico-Racial na Justiça Eleitoral para balizar a autodeclaração de raça;
Formação de órgãos de controle interno nas legendas partidárias para fiscalizar o emprego das verbas públicas;
Estruturação de canais formais para recebimento e apuração de denúncias de violência política motivadas por gênero ou raça;
Asseguramento do cumprimento rigoroso das legislações voltadas ao combate à violência política de raça e gênero;
Realização de campanhas educativas focadas nos impactos da hostilidade política sofrida por mulheres cisgênero, transgênero e travestis;
Reformulação dos estatutos das agremiações para alinhamento à Lei 14.192/2021, coibindo a prática de violência política no ambiente partidário;
Garantia da partilha equitativa das verbas do fundo partidário/eleitoral e do tempo de exibição na TV e rádio para postulantes negros;
Repasse direto dos montantes financeiros devidos às candidaturas femininas e negras;
Rigor no cumprimento do cronograma estipulado pelo TSE para o envio das verbas eleitorais aos projetos de mulheres, negros e povos originários;
Exigência de anuência expressa dos candidatos para a realização de despesas estimáveis custeadas por verbas destinadas a cotas;
Proibição da imposição, por parte das siglas, de fornecedores ou diretrizes de campanha sem a prévia concordância dos concorrentes;
Ampla visibilidade e controle público sobre as transferências financeiras durante o período da campanha;
Desenvolvimento de programas contínuos de educação sobre relações raciais e prevenção contra burlas às cotas;
Aplicação de penalidades internas e notificação formal à Justiça Eleitoral diante de fraudes às ações afirmativas ou desvio de dinheiro público;
Monitoramento dos conteúdos veiculados nas campanhas para vetar a utilização de recursos do Estado em discursos de ódio, violência política, intolerância religiosa, homotransfobia e quaisquer matrizes discriminatórias.
Idealizado no pleito de 2022, o projeto Quilombo nos Parlamentos prestou suporte a mais de uma centena de projetos políticos de lideranças negras pelo país. A Coalizão Negra por Direitos agrega mais de 300 coletivos, associações e entidades do movimento negro nacional, atuando ativamente na articulação de políticas públicas frente aos Poderes da República e fóruns internacionais.