A crise diplomática entre Brasil e Paraguai ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (30). O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, anunciou a convocação do embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes de Carvalho, após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a Guerra do Paraguai.
Segundo o chanceler paraguaio, o embaixador participará de uma reunião oficial nesta sexta-feira (31), ao lado do vice-presidente Pedro Alliana e de representantes do Ministério das Relações Exteriores. Na ocasião, o governo do Paraguai deverá entregar uma nota diplomática em resposta às declarações do presidente brasileiro.
Lezcano também informou que Lula e o presidente do Paraguai, Santiago Peña, conversaram por telefone sobre o episódio. "O presidente da República do Paraguai e o presidente da República Federativa do Brasil conversaram por telefone sobre esse delicado assunto", afirmou o ministro.
A reação ocorre após Lula mencionar, durante um discurso na última semana, que o Paraguai invadiu Brasil, Argentina e Uruguai no século XIX, ao defender investimentos na área de Defesa. "Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil", declarou o presidente.
As falas provocaram forte repercussão no país vizinho. O Congresso paraguaio aprovou, por unanimidade, uma declaração de repúdio, afirmando que as declarações do presidente brasileiro "distorcem e minimizam a dimensão histórica da guerra", além de desconsiderarem o impacto humano, econômico e territorial sofrido pelo Paraguai durante o conflito.
Os parlamentares paraguaios também voltaram a cobrar a devolução do canhão El Cristiano, levado pelo Brasil como troféu de guerra após o fim do conflito. O governo de Santiago Peña afirmou que continuará defendendo os interesses do Paraguai nas relações diplomáticas e classificou a entrega da nota oficial ao embaixador brasileiro como uma resposta institucional ao episódio.