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Ministro André Mendonça autoriza PF a abrir inquérito contra Lulinha
Ministro do STF autorizou abertura de inquérito para apurar suspeitas envolvendo negócios ligados à cannabis medicinal; entenda
31/07/2026 19h21
Por: Mateus Pereira Fonte: Metrópoles
Foto: redes sociais

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a instaurar um inquérito para investigar se Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria cometido supostos crimes de corrupção e tráfico de influência em negociações relacionadas ao mercado de cannabis medicinal. A investigação corre sob sigilo.

Filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Lulinha já havia sido citado nas apurações da Operação Sem Desconto, que investiga um suposto esquema envolvendo descontos irregulares em benefícios do INSS, por causa de sua relação com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

A autorização para abertura do inquérito foi concedida após pedido da Polícia Federal e distribuída ao gabinete de André Mendonça por prevenção. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo.

A defesa de Lulinha afirmou ter recebido a notícia com surpresa. O advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que considera a investigação uma espécie de "fishing expedition", expressão usada para classificar buscas por provas sem um fato específico previamente comprovado.

"É estranha a notícia sobre a instauração de um novo inquérito. A impressão que passa é de que a Polícia Federal está promovendo uma espécie de fishing expedition, o que é muito grave. Recebemos, portanto, com estranheza, mas com tranquilidade", afirmou o advogado. Ele acrescentou que a defesa terá oportunidade de demonstrar que Lulinha "não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade".

As investigações também analisam a atuação da empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha. Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, ela e o Careca do INSS estiveram, em agosto de 2025, no Ministério da Saúde para tratar de assuntos ligados ao setor de cannabis medicinal.

A Polícia Federal identificou ainda transferências que somariam R$ 1,5 milhão do lobista para Roberta Luchsinger, além de viagens realizadas por Lulinha, Roberta e o Careca do INSS em períodos coincidentes para países da Europa. Também são analisadas despesas com viagens internacionais, registros de acesso ao Ministério da Saúde e possíveis vínculos comerciais envolvendo empresas ligadas ao mercado de cannabis medicinal.

Até o momento, não há decisão judicial sobre eventual responsabilidade de Lulinha, e a investigação segue em andamento sob sigilo.